Decisão atinge a Reag Trust, hoje chamada CBSF, citada em investigações sobre fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo fundos e o Banco Master
O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., atualmente denominada CBSF DTVM. A medida foi adotada após a constatação de graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Segundo o BC, fundos administrados pela Reag estruturaram operações consideradas fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024. As informações foram encaminhadas ao Tribunal de Contas da União (TCU) e apontam falhas severas na gestão de risco, crédito e liquidez, além de descumprimento das regras que regem o sistema financeiro.
A autoridade monetária informou que seguirá adotando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades administrativas, o que pode resultar em sanções adicionais e comunicações a outros órgãos competentes. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição foram tornados indisponíveis.
A Reag também é citada em investigações ligadas à Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis, empresas financeiras e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A Polícia Federal investiga se fundos da gestora foram utilizados em fraudes financeiras associadas ao Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025.
Na quarta-feira (14), o fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur (imagem), foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito das investigações. A Polícia Federal também realizou diligências em endereços ligados ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a familiares.
Na mesma data, a corporação deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero, cumprindo mandados relacionados ao avanço das apurações. Um dia depois, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, formalizou a liquidação extrajudicial da instituição.
O BC nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. como liquidante, tendo Antonio Pereira de Souza como responsável técnico — profissional que já atuou em processos de liquidação de outras instituições financeiras.
Em comunicações anteriores, a Reag afirmou que era prestadora de serviços do Banco Master, com atuação restrita à gestão e administração de fundos, e negou qualquer envolvimento em esquemas ilícitos. A empresa também sustenta ser vítima das investigações e classifica como infundadas as acusações de ligação com organizações criminosas.
Além da Reag, o Banco Central também decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio, citando grave comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas legais. Segundo o BC, os dois processos não têm relação entre si.
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