Corte de Contas vai analisar documentos do BC durante o recesso para apurar decisão de liquidação extrajudicial
O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou uma inspeção no Banco Central para apurar o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em novembro de 2025. A informação foi confirmada pelo presidente da Corte, Vital do Rêgo Filho, nesta sexta-feira (2).
Segundo Vital, os técnicos do TCU irão analisar documentos do Banco Central, incluindo informações protegidas por sigilo. “Será um processo em que o TCU tomará conhecimento de documentos que muitas vezes estão sob sigilo. Os técnicos vão trabalhar durante o recesso, que termina no dia 19”, afirmou.
A abertura da inspeção ocorre em meio a preocupações no mercado financeiro e dentro do próprio Banco Central sobre a possibilidade de o relator do caso no TCU, Jhonatan de Jesus, vir a reverter a liquidação do Banco Master por meio de decisão liminar. Questionado sobre o tema, Vital do Rêgo minimizou as especulações. “Neste momento, tudo é especulação. O TCU vai trabalhar na inspeção. Desconfortos sempre vão existir, mas a Corte tem o papel de fiscalizar os órgãos reguladores, e o BC é o regulador do sistema financeiro”, declarou.
O caso também é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). No último dia 30, por determinação do ministro Dias Toffoli, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino Santos, prestou depoimento à Polícia Federal, mas foi dispensado de participar de uma acareação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).
A principal linha de apuração da Polícia Federal investiga uma suposta fraude nos balanços do Banco Master, que teria levado à incapacidade da instituição de honrar compromissos financeiros. De acordo com os investigadores, uma tentativa de venda do banco ao BRB teria como objetivo mascarar o rombo, operação que acabou sendo vetada pelo Banco Central.
