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Master: estamos preparados para o que vem por aí?

Aluizio Falcão Filho
3 de janeiro de 2026

Há um movimento forte no Congresso para instituir uma CPMI sobre o Banco Master. No Senado, Eduardo Girão afirma ter obtido 34 assinaturas para criar a comissão, superando o mínimo exigido de 27 adesões. Na Câmara, o deputado Carlos Jordy disse que já tem o apoio por escrito de 176 colegas (acima dos 171 necessários). Esses parlamentares querem basicamente investigar a rede de favores distribuídos por Daniel Vorcaro. Mas, antes de mais nada, é preciso levar em consideração duas coisas.

A primeira: Vorcaro era muito popular no Centrão, que articulava inclusive uma emenda para elevar o teto do valor de aplicações cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos, hoje de R$ 250.000,00. A ideia era subir esse valor para R$ 1 milhão, o que turbinaria ainda mais a captação por parte do Master. Como se sabe, a ideia foi rechaçada pela maioria dos parlamentares. Mesmo assim, esses mesmos deputados e senadores podem ter força para barrar a criação de uma CPMI com medo de uma exposição que iria prejudicá-los.

A segunda diz respeito ao vespeiro que pode surgir diante de determinadas revelações. Há uma preocupação específica sobre uma delegação levada por jatinho particular em maio para Nova York, que ficou hospedada no hotel Aman, na rua 57. Algumas autoridades estão apreensivas com o que pode sair desta investigação em particular.

O trabalho da PF, agora, começa a se debruçar sobre o day after da liquidação. Os agentes acreditam que alguém capaz de armar uma teia diversificada de influência e de captação bilionária de recursos pensou também em um plano de contingência caso houvesse um imprevisto como a liquidação decretada pelo BC. Diante disso, os agentes estão de olho em um empresário de São Paulo, que vem sendo procurado por credores do Master.

O ponto central de tudo está no conteúdo armazenado no celular de Vorcaro. Este aparelho é visto como uma verdadeira caixa-preta. Ali podem estar registradas conversas, mensagens e eventuais transações que revelariam não apenas a extensão da rede de influência, mas também os nomes de quem se beneficiou dela. É justamente esse potencial explosivo que assusta parte dos poderes estabelecidos. A CPMI, se instalada, não será apenas um palco de discursos inflamados, mas um espaço no qual documentos e provas poderão ser expostos sem filtros, colocando em xeque a credibilidade de figuras que hoje se apresentam como guardiões da moralidade.

O risco é que, mais uma vez, o Brasil assista a uma investigação que começa com promessas de transparência e termina em acordos de bastidores. A história recente mostra que comissões parlamentares de inquérito muitas vezes se transformam em arenas de disputa política, em que a busca pela verdade é substituída pela negociação de interesses. O caso Master, no entanto, parece ter uma dimensão diferente: não se trata apenas de um banco em liquidação, mas de um sistema de favores e de captação que pode expor a fragilidade das instituições financeiras e políticas do país.

Se o Congresso recuar diante da pressão, ficará evidente que a blindagem de aliados continua sendo a prioridade, mesmo em detrimento da confiança pública. Se avançar, terá de lidar com revelações que podem corroer ainda mais a imagem de um sistema já desgastado. A sociedade, por sua vez, precisa estar preparada para enfrentar não apenas os escândalos que virão à tona, mas também a tentativa de os abafar. O verdadeiro teste não é apenas para o Banco Master ou para Vorcaro, mas para a capacidade das instituições brasileiras de lidar com seu lado sombrio.

O que se desenha é um teste de resistência institucional. A CPMI sobre o Master não será apenas um instrumento de apuração, mas um espelho incômodo para o Congresso. Se os parlamentares optarem por frear a investigação, estarão confirmando que a autopreservação continua sendo o motor da política nacional. Se permitirem que ela avance, terão de enfrentar revelações que podem corroer alianças e expor práticas que muitos prefeririam manter escondidas. A ironia é que, ao tentar proteger-se de Vorcaro, o Congresso corre o risco de mostrar ao país que o verdadeiro escândalo não está apenas na liquidação do banco, mas na forma como o poder se acomoda para sobreviver.

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