Hoje foi o dia D para que a liquidação do Banco Master seja mantida, preservando assim a integridade do sistema financeiro. Dois episódios sustentam essa tese. O primeiro é a decisão do ministro Jonathan de Jesus, relator do caso do Banco Master no Tribunal de Contas da União, que paralisou o pedido de inspeção técnica no Banco Central.
Na prática, esta ação poderia resultar em uma recomendação para que o processo fosse revertido no Supremo Tribunal Federal. Ao interromper a inspeção, o TCU dá mais tranquilidade aos agentes financeiros. O presidente do tribunal, Vital do Rêgo Filho (imagem), garantiu que não haverá revisão da decisão que decretou a liquidação da instituição controlada por Daniel Vorcaro. “Não vai haver desliquidação”, afirmou.
O segundo episódio é a percepção de que os ministros do Supremo formaram uma maioria informal para derrubar qualquer iniciativa de melar o jogo em relação ao Master. Isso inclui até a avaliação de um mandado de segurança contra uma eventual decisão do TCU que beneficiasse Vorcaro.
Diante desse cenário, o recado institucional parece claro, mas nada garante que novas investidas não surgirão pelas bordas do sistema. Quando interesses bilionários entram em jogo, a criatividade para contornar decisões aumenta na mesma proporção. Todo o cuidado é pouco. A sociedade, o mercado e as próprias instituições precisam manter os olhos bem abertos para que a cartola de Vorcaro não volte a ser usada para produzir mais truques de mágica capazes de ameaçar a estabilidade que, a duras penas, começa a ser restabelecida.