Em nota conjunta, 11 entidades defendem decisões técnicas do Banco Central e pedem preservação da independência institucional da autoridade monetária
O setor financeiro voltou a sair em defesa do Banco Central (BC) após o Tribunal de Contas da União (TCU) instaurar uma inspeção para analisar o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. Em nota conjunta divulgada nesta segunda-feira (5), 11 entidades representativas de bancos, fintechs e cooperativas de crédito reiteraram “plena confiança” na atuação técnica da autoridade monetária.
No comunicado, as entidades destacam que o BC exerce papel fundamental na preservação de um sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro, com atuação baseada exclusivamente em critérios técnicos, prudência regulatória e fiscalização independente. A carta não menciona diretamente o TCU, mas enfatiza a importância de resguardar a autonomia institucional do Banco Central.
“O Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante”, afirma o texto.
A manifestação é assinada por entidades como a Febraban, a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) e a Zetta, que representa grandes fintechs do país. Ao todo, o posicionamento reúne 757 instituições financeiras, 689 cooperativas de crédito e 15 associações setoriais vinculadas à Fin.
A nota surge em meio ao aumento das pressões institucionais em torno do caso Master. Na semana passada, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, marcou uma acareação relacionada ao processo, o que levou entidades do setor a reforçarem publicamente o apoio ao Banco Central.
O TCU informou que a inspeção tem como objetivo suprir eventuais lacunas de informação e esclarecer dúvidas pontuais sobre a decisão tomada pelo BC em novembro. No mercado, há receio de que o procedimento possa abrir espaço para questionamentos que levem à tentativa de reversão da liquidação — cenário que o setor financeiro vê como risco à previsibilidade regulatória.
Para as entidades signatárias, a defesa do Banco Central vai além do caso específico: trata-se de preservar a credibilidade do arcabouço institucional que sustenta o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Justificativas
De acordo com o presidente do TCU, ministro Vital Rêgo, a autorização para o procedimento foi formalizada dentro de um trabalho técnico já em andamento, que “busca esclarecer os fundamentos técnico-jurídicos e operacionais da atuação do órgão regulador”.
O ministro Jhonatan de Jesus acolheu a representação formulada pelo Ministério Público Federal (MPF) junto ao TCU que pede a investigação de possíveis falhas na supervisão exercida pelo Banco Central do Brasil sobre o Banco Master S.A. e suas controladas, culminando na decretação de sua liquidação extrajudicial.
Após abrir espaço para a manifestação do Banco Central, o TCU teria recebido do órgão uma nota técnica expondo o histórico do processo e os fundamentos e considerações que levaram a instituição a decidir pela liquidação extrajudicial. Para Jhonatan de Jesus, o documento foi considerado insuficiente.
“A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas”, destaca na decisão.
Segundo o despacho emitido pelo relator do caso, há a necessidade de “formação de convencimento” de que a decisão de liquidar extrajudicialmente o Banco Master foi coerente com os achados de irregularidade e os riscos associados.
O ministro Jhonatan de Jesus considera os argumentos apresentados pelo MPF de que pode ter havido “omissão e insuficiência de reação tempestiva a sinais de degradação financeira da instituição” no caso o Banco Master.
Isso teria ampliado o risco ao SFN, devido a capilaridade do Banco Master e os impactos sobre credores, investidores e depositantes, “com possível pressão significativa sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”.
(com Agência Brasil)
O que MR publicou
- Master: estamos preparados para o que vem por aí?
- Master: reverter a decisão do BC é botar fogo no paiol de pólvora
- Até quando Toffoli vai tentar interferir na investigação do Master?
- Vorcaro diz que foi “surpreendido” com liquidação do Master
- Outra preocupação no caso Master: para onde vai o TCU?
- Vorcaro depõe no STF, mas acareação segue indefinida
- Suspeitas de novas fraudes podem abrir outra investigação contra o Master
- PGR arquiva pedido para investigar relação de Moraes com Master
- Liquidante do Master é procurado pela Justiça
- Entidades financeiras defendem atuação do BC no caso Master
- TCU abre inspeção no BC sobre liquidação do Master
- Master: reverter a decisão do BC é botar fogo no paiol de pólvora
- Toffoli mantém participação de diretor do BC em acareação do Master
- Toffoli contraria PGR e BC no caso Master
- Toffoli mantém acareação no caso Banco Master
- Moraes afirma que nunca tratou do Master com presidente do BC
- Onde está a imparcialidade de Moraes ao procurar o BC para falar do Banco Master?
- Moraes teria pressionado BC em favor do Banco Master
- STF debaterá norma de conduta para ministros em 2026
- Podcast: Promiscuidades jurídicas e legislativas; descomposturas em série
- Toffoli retira quebra de sigilo de Vorcaro da CPMI do INSS
- A agenda paralela do STF
- Toffoli e Messias: qualquer semelhança não é mera coincidência
- Por que essa obsessão com o sigilo?
- Toffoli puxa decisões sobre o caso Banco Master para o STF
- Justiça manda soltar Vorcaro e mais quatro sócios do Banco Master
- Como o esvaziamento do Master em agosto arranha o BC agora
- Presidente do FGC diz que reembolsos de Banco Master acontecem este ano
- Podcast: O rombo explosivo do Master; impactos políticos
- Como resgatar o dinheiro que ficou no Banco Master
- FGC terá que honrar R$ 41 bi para 1,6 milhão de credores do grupo do Master
- O que pode acontecer com os correntistas do Master
- Venda do Will Bank ao Mubadala é suspensa após liquidação do Master
- Fraude no Master pode chegara R$ 12 bilhões. Diretores do BRB são afastados pela Justiça
- Master: o Banco Central resolveu um problema criado pelo próprio BC
- Vorcaro, do Master, é preso pela PF após BC liquidar banco
- Fictor compra Banco Master por R$ 3 bi
