Ministro da Fazenda quer acordo bilateral com foco em minerais estratégicos e inovação digital; governo também estuda plano emergencial para setores afetados
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que pretende colocar o sistema Pix e as reservas brasileiras de terras-raras na mesa de negociações com os Estados Unidos. O objetivo é reverter as tarifas impostas sobre produtos brasileiros e fomentar investimentos estratégicos bilaterais.
Em entrevista à Band News, Haddad defendeu um acordo para pôr fim ao tarifaço, destacando que o Brasil precisa dialogar com a maior economia do mundo. “Nós não queremos que só a China ou a União Europeia invistam no Brasil. Nós queremos que os Estados Unidos invistam também”, afirmou. “Mas não na condição de colônia. O Brasil é um país soberano.”
Entre os ativos estratégicos citados por Haddad estão os minerais críticos como nióbio, lítio, titânio, tântalo e os chamados elementos de terras-raras, fundamentais para tecnologias da transição energética. “Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos cooperar para produzir baterias mais eficientes”, explicou.
Outro trunfo citado foi o Pix. Sem detalhar o formato da proposta, Haddad disse que o sistema de pagamentos instantâneos, desenvolvido pelo Banco Central, pode interessar ao mundo. “O nosso Pix tem sido considerado por economistas, inclusive prêmios Nobel, o futuro da moeda digital. Para quem tem medo de cripto ou de desdolarização, essa tecnologia pode ser muito atraente.”
Apesar da abertura ao diálogo, o ministro enfatizou que o tratado precisa ser equilibrado. Ele apontou que os EUA já representaram 25% das exportações brasileiras, mas hoje são responsáveis por apenas 12%. “Isso mostra que o Brasil é menos dependente e mais diverso em sua pauta exportadora”, comentou.
Haddad também criticou a politização do comércio exterior. “Tem gente trabalhando contra o Brasil dentro do Brasil”, disse, sem citar nomes. Segundo ele, o tarifaço ganhou fôlego após ser explorado politicamente por opositores.
Plano de contingência
O ministro revelou ainda que apresentou ao presidente Lula um plano de contingência para apoiar os setores mais atingidos pelas barreiras comerciais. Embora não tenha revelado valores, mencionou a criação de linhas de crédito e a possibilidade de o governo adquirir produtos que deixarem de ser exportados, redirecionando-os para programas públicos de alimentação.
Ele citou como exemplo o governador do Ceará, Humas Delmano, que sugeriu a compra de alimentos para abastecer escolas e instituições estaduais. “Os governadores que quiserem firmar parcerias já podem nos trazer os setores mais sensíveis. Nós temos capacidade de financiamento”, disse.
Ao final, Haddad reforçou que o Brasil está aberto a parcerias globais, mas sem subordinação: “Queremos acordos, mas na condição de quem também tem o que oferecer ao mundo”.
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