Americanos perderam força, apesar de consumirem produtos de maior valor agregado que a China. Confira o peso dos países na balança comercial
O estado de São Paulo é responsável por quase 32% do faturamento com as exportações brasileiras aos norte-americanos, com cerca de US$ 13,5 bilhões em 2024, de acordo com dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A situação preocupa os empresários, que buscam uma solução com o governo, diante da possibilidade real de perderem competitividade. No primeiro semestre deste ano, o valor das exportações paulistas foi de US$ 6,4 bilhões, informa o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (14).
Entre os principais produtos estão os agropecuários, derivados de petróleo e máquinas. No agro, há o suco de laranja – os Estados Unidos são o principal comprador – e carnes. A extração e refino contribui com petróleo e óleos combustíveis. O estado é também o maior exportador de produtos com alto valor agregado. É o caso, por exemplo, de equipamentos de engenharia civil, eletrônicos, máquinas agrícolas e aeronaves da Embraer.
De 2001 a 2024, a participação americana no total de exportações brasileiras regrediu de 24,4% para 12,2%, ou seja, caiu praticamente à metade.
A balança comercial entre os países somou quase US$ 40 bilhões no primeiro semestre de 2024, com superávit de US$ 300 milhões para os EUA. No mesmo período de 2025, o saldo é de US$ 1,7 bilhão para os americanos, indica a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
Enquanto isso, a participação da China aumentou mais de oito vezes, indo de 3,3% para 28% no período de 2001 a 2024, somando US$ 104 bilhões no balanço do ano passado. Já a União Europeia com menos 44% e a América do Sul, menos 31%, também perderam espaço para o gigante asiático no intervalo de 23 anos. Mesmo com esses dois grupos de países perdendo participação, ainda ficam na frente dos Estados Unidos.
10 produtos representam 57% das exportações aos EUA:
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus – 14%
- Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço – 8,8%
- Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes – 6,7%
- Café torrado – 4,7%
- Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas – 4,4%
- Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) – 4,3%
- Celulose – 4,1%
- Demais produtos – Indústria de Transformação – 3,8%
- Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes – 3,6%
- Sucos de frutas ou de vegetais – 3%
O Ibre/FGV aponta também que conjuntos de produtos siderúrgicos, aeronaves, sucos vegetais e escavadeiras seriam os mais atingidos pela ação americana, pois dependem bastante da maior economia do mundo:
- Ferro fundido bruto e ferro spiegel – 86% das exportações vão para os EUA;
- Produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado – 72,5%;
- Veículos aéreos (helicópteros e aviões) – 63%;
- Pás mecânicas e escavadeiras – 53%;
- Sumos de frutas – 34%
O peso dos EUA na exportações estaduais (2024):
- São Paulo – 33,6%, com US$ 13,5 bilhões
- Rio de Janeiro – 17,9%, com US$ 13,5 bilhões
- Minas Gerais – 11,4%, com US$ 4,6 bilhões
- Espírito Santo – com 7,6%, com US$ 3,1 bilhões
- Rio Grande do Sul – 4,5%, com US$ 1,8 bilhão
- No Nordeste, os estados que mais exportam para os Estados Unidos são Ceará, Bahia e Maranhão.
Participação nas exportações brasileiras:
- China – 28%
- União Europeia – 14,3%
- América do Sul – 12,2%
- Estados Unidos – 12%
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