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Primeira bolsa de dados do Brasil quer transformar informação em ativo negociável

Lorena Scavone Giron
25 de junho de 2026
Brazilian Data Exchange (BDX) cria infraestrutura para que empresas monetizem dados operacionais e os utilizem como fonte de receita e valor patrimonial

Os dados corporativos podem se tornar um dos ativos mais valiosos da economia digital. Com essa premissa, a Brazilian Data Exchange (BDX) anunciou a criação da primeira bolsa de dados do Brasil, uma infraestrutura voltada à valoração, comercialização e licenciamento de dados empresariais.

A proposta é permitir que empresas de setores como energia, varejo, agronegócio, logística e serviços financeiros transformem informações operacionais em produtos negociáveis. Segundo a BDX, o modelo busca criar um mercado estruturado para um recurso que, apesar de estratégico, ainda permanece subutilizado em grande parte das organizações.

“Os dados são um dos recursos mais valiosos do Brasil e passarão a ser o fator de produção mais importante das próximas décadas. O crescimento da nossa economia depende de permitirmos que as empresas brasileiras tratem seus dados como ativo e consigam transacionar seus produtos de dados”, afirma Bruno Aracaty, fundador da Brazil Data Exchange (imagem).

A iniciativa introduz o conceito de IDO (Initial Data Offer), uma referência ao IPO (Initial Public Offering) realizado por empresas na bolsa de valores. Na prática, as companhias poderão estruturar e listar produtos de dados para negociação dentro da plataforma.

Do lado da demanda, a proposta é oferecer acesso legal, auditável e padronizado a bases de dados de alta qualidade, consideradas essenciais para o desenvolvimento e treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Segundo a empresa, um dos principais entraves do mercado hoje é a ausência de mecanismos formais para negociação desses ativos. Dados corporativos costumam permanecer isolados em diferentes sistemas, sem padrões claros de propriedade, precificação ou comercialização.

A BDX nasce como um mercado de balcão organizado, responsável por reunir compradores e vendedores em um ambiente com contratos padronizados, mecanismos de validação de valor e regras de governança. A expectativa é criar as bases para que os dados possam, futuramente, ser reconhecidos também como ativos nos balanços das empresas.

O modelo operacional foi inspirado na Shanghai Data Exchange (SDE), considerada a primeira bolsa de dados do mundo. Criada em 2021, a plataforma chinesa já reúne mais de 4 mil produtos de dados listados.

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