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Milionário decide doar empresa avaliada em US$ 400 milhões: ‘não preciso passar o verão no Mediterrâneo’

Pedro Knoth,
para MR
26 de julho de 2026
Fundador de empresa de barcos de pesca abre mão de bônus para doar empresa a ONGs após morte de seu herdeiro único

Imagine ter a empresa avaliada em US$ 400 milhões por banqueiros de investimento, negar tentativas de M&A e, finalmente, doar a companhia para instituições de caridade. É o que aconteceu com Eddie Smith Jr., fundador da fabricante de barcos de pesca americana Grady White-Boards, rentável há mais de 50 anos.

Ao ser questionado pelo New York Times sobre o porquê de abrir mão de um bônus gigante de uma potencial venda, Smith diz que “não precisa de um iate de 60 metros para passar o verão no Mediterrâneo”. Em vez disso, se contenta com as paisagens de sua fazenda no interior na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Ele vai viver de um salário vitalício como CEO, mas não vai receber dividendos a partir de resultados da Grady White-Boards.

O fundador acertou a venda de suas ações de capital social com direito à voto no conselho da Grady White-Boards a um fundo de trust, nome da estrutura montada geralmente em benefício de uma pessoa por um terceiro, em nome de um beneficiário que é dono do patrimônio. Assim, Smith não apenas doou suas ações, mas impede que qualquer outra empresa ou sócio compre o negócio, já que precisaria de sua autorização expressa. Sem essa ameaça, os recursos do fundo serão usados para causas de saúde, educação e preservação do meio ambiente, segundo o milionário.

A doação ocorre após uma tragédia na sucessão da empresa e na família de Eddie Smith Jr. Seu filho único, Chris, faleceu cinco anos atrás, vítima de complicações de esclerose lateral amiotrófica, ou ALS em inglês. Sua esposa havia falecido um ano antes, aos 57.

“Deus me abençoou e me colocou em uma posição onde posso doar grande parte da minha fortuna”, afirma o fundador da Grady White-Boards. Além de ter doado a empresa, Smith vive em uma fazenda de mais de 12 mil quilômetros quadrados que abriga reservas florestais com espécies de cervos, águias e ursos. A fundação da família do milionário tem US$ 300 em ativos no estado da Carolina do Norte, e apoia programas médicos da universidade estadual.

Além de colocar as ações com voto da Grady White-Boards em um fundo trust, Smith transferiu o restante de sua participação em ações ordinárias para uma instituição de caridade criada para este propósito específico. Assim, qualquer dividendo a que teria direito vão direto para a ONG.

A mente filantrópica de Eddie Smith Jr precisou de ajuda para montar a estrutura que o permitiu doar sua empresa e barrar tentativas de compra. A Purpose Owned, consultoria que assessorou o milionário na transação, afirma que o número de empresas doadas por fundadores a fundos de trust saiu de sete em 2019 para 81 em 2025.

“Por décadas, ensinamos aos empreendedores que eles têm somente duas opções: ou vender ou deixar que investidores tomem as rédeas do negócio“, diz Eric Ries, um empresário e autor que estuda formas alternativas de governança corporativa. “Transações como essa mostram que uma terceira via é possível: uma companhia resiliente que se presta a uma missão de longo prazo“, afirma Ries ao The New York Times.

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