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O oportunismo do Centrão e a ascensão de Flávio

Aluizio Falcão Filho
21 de setembro de 2026

Falar que os membros do Centrão são oportunistas é quase um pleonasmo. Mas, nesta reta final de campanha eleitoral, é sempre bom reforçar como as correntes políticas se reagrupam de acordo com seus interesses. Vamos lembrar o que estava acontecendo ao final do ano passado, quando houve uma nova onda de rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os centristas, apostando em uma candidatura do governador Tarcísio de Freitas, foram abandonando a base governista.

Quis o ex-presidente Jair Bolsonaro, porém, que seu candidato à sucessão não fosse Tarcísio e sim o filho Flávio. Houve uma comoção no ninho oposicionista e apoio ao senador fluminense foi muito pequeno no início da pré-campanha, repleto de desconfiança por parte dos políticos mais experientes. Neste momento, o Centrão voltou ao muro e ensaiou uma reconciliação com o governo.

É por isso que nenhum partido ligado ao centro e à direita se coligou com o PL e apoiou oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro. Todos lançaram seus candidatos à presidência e seguiram um caminho independente, pavimentado para apoiar quem quisessem no segundo turno. Neste momento, percebeu-se que muitas raposas felpudas brasilienses iriam aderir a Lula ou permanecer em um silêncio providencial na etapa derradeira das eleições. Lembram-se da previsão feita por Gilberto Kassab, de que Flávio tinha “chance zero” de ganhar as eleições? Pois é.

Com o crescimento de Flávio nas pesquisas, entretanto, essa percepção mudou. Os centristas, nos últimos dias, começaram a se aproximar do núcleo da campanha do PL, com interesse em cargos para um eventual governo. Há, porém, alguns bolsonaristas mais extremistas que defendem um rompimento unilateral com os representantes do Centrão, a título de retaliação.

Lembremos, no entanto, que foi esse distanciamento político que tornou os primeiros dezoito meses do governo Bolsonaro um verdadeiro inferno no Congresso. Somente quando Ciro Nogueira foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil é que as coisas se ajeitaram nas votações parlamentares que importavam para o Planalto.

Flávio Bolsonaro não faz parte do grupo de militantes radicais e forjou sua carreira política como alguém que tenta conectar parlamentares e dirigentes partidários com interesses diversos. Portanto, é de se esperar que, na possibilidade de ele subir a rampa do Palácio do Planalto, seu governo tenha o Centrão como um dos protagonistas. Para alguém com o perfil de Flávio, o passado precisa ser superado e as alianças vitais para a governabilidade necessitam de costura.

Mas o preço, com o Centrão na mesa de negociações, sempre é alto.

A primeira exigência provavelmente será a Casa Civil ou a Secretaria de Governo. Em seguida, virão os ministérios que têm protagonismo no orçamento, como Transportes, Integração, Cidades, Desenvolvimento Regional, além do Ministério de Minas e Energia, que se transformou na peça mais cobiçada do tabuleiro por causa das nomeações em estatais e agências. A pauta seguinte será a das emendas parlamentares, provavelmente com pressão por reduzir a rastreabilidade imposta pelo Supremo Tribunal Federal nos últimos tempos. E haverá o capítulo menos visível e mais valioso, o das indicações para bancos públicos, fundos de pensão, agências reguladoras e diretorias de segundo escalão.

Existe um segundo grupo de demandas, de natureza defensiva, que costuma pesar mais que os cargos. Boa parte dos caciques que hoje se aproximam do PL responde a processos ou tem aliados nessa condição. O que se busca, nesses casos, é a segurança de que o novo governo não estimulará investigações surgidas na administração anterior. A definição do comando da Polícia Federal e a escolha do Procurador-Geral da República, assim, entram nessa conta. Flávio conhece esse mundo melhor que o pai. O candidato, se eleito, vai precisar escolher entre o preço a pagar pelo apoio a partir de 2027 e aquilo que os eleitores esperam de seu eventual mandato. Boa parte de seus eleitores não aguenta mais a ingerência do Centrão no governo, mas este grupo é essencial para aprovar as pautas situacionistas no Congresso. Como compatibilizar interesses tão diferentes? Essa é a pergunta de um milhão de dólares que Flácio Bolsonaro terá de responder.

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