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A importância da aparência ao construir reputação

Aluizio Falcão Filho
2 de outubro de 2026

Vestir-se bem é considerado por muitos um ato de vaidade ou uma manifestação de frivolidade. Isso pode até ser verdade. Mas o fato é que há muito tempo uma boa aparência pode ser um instrumento de vendas ou uma ferramenta para construir sua reputação. Mas, antes de mais nada, é importante escolher um estilo que tenha a ver com sua personalidade. Assim, alguém discreto não pode ostentar roupas espalhafatosas. Da mesma forma que uma pessoa muito expansiva não pode adotar um estilo sóbrio demais.

Não se trata de gastar os tubos para ficar bem-vestido. Essa é uma regra adotada pelos deslumbrados, achar que tudo se resolve com o cartão de crédito. Esses indivíduos, diga-se, escolhem pratos e vinhos pela coluna da direita em um menu quando estão em um restaurante. Quando se aventuram pelo mundo da moda, entram apenas nas lojas mais caras ou naquelas que alguns influenciadores comentam.

O estilo de cada um, porém, não tem a ver com isso. “Uma pessoa bem-vestida não é aquela que veste roupas caras e sim as roupas certas”, disse o consultor de imagem Alexandre Taleb em uma entrevista que fiz em MONEY REPORT TV. É preciso, assim, escolher o guarda-roupa que tem a ver com sua personalidade e ressaltar a imagem que você deseja passar.

Algo espalhafatoso, evidentemente, não funciona muito bem no mundo corporativo. Mas há mercados que são bem mais complacentes com um visual mais arrojado. Portanto, avalie se esse seu estilo pode ajudar ou não em sua busca por reputação.

O universo masculino brasileiro é bastante conservador em termos de imagem. Os homens buscam quase sempre blazers ou ternos da cor azul-marinho. Mas os detalhes podem destacar a sua presença dos demais. Ultimamente, por exemplo, resolvi usar gravata nos eventos aos quais compareço. Isso me confere um certo destaque junto a um público que ultimamente aboliu esse acessório no trabalho. Posso parecer formal demais? Sim. Mas não me importo com isso.

Em determinados mercados, há alguns empresários que ditam moda involuntariamente. Muitos anos atrás, por exemplo, Marcel Telles ia ao Banco Garantia de mochila. Esse hábito começou a ser copiado pelos colegas e, depois, por muitos executivos do mercado financeiro. Esse costume acabou se espalhando por boa parte da comunidade empresarial. Caiu em desuso ultimamente, mas foi uma tendência forte durante anos.

Hoje, temos uma ditadura da calça social com camisa branca ou azul, sem blazer, na chamada Faria Lima (copiando o estilo de um dos ícones do mercado financeiro).  É algo comum do ser humano: clonar alguém que faz sucesso. O problema é que esse comportamento faz de você mais um na multidão, sem ser notado. Mas, cuidado: é melhor ser ignorado do que percebido pelos motivos errados, como a cafonice ou o mau gosto.

Esse perigo surge com força nos momentos de lazer. Durante a semana, no expediente de trabalho, é muito simples não escorregar, adotando o modelito sóbrio da moda corporativa. Mas, no final de semana, muita coisa errada pode acontecer. Um amigo, muito famoso, já apareceu em uma festa trajando camisa vermelha, calça branca, blazer preto e sapato marrom. Uma combinação esquisita, que foi percebida por todos os convidados.

Por isso, se você está na dúvida, procure os profissionais do ramo, como o Alexandre Taleb. Mas, se preferir, gaste um tempo pesquisando as opções que borbulham no mundo fashion. De qualquer forma, tome cuidado absoluto com as modas passageiras. Ser uma vítima da moda é algo que pode queimar seu filme irremediavelmente.

Vejamos um caso retratado na literatura, mas que ocorrer na vida real. No livro “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzerald, o personagem principal nasceu em uma fazenda da Dakota do Norte, chamado James Gatz. Ele, porém, trocou o nome para Jay Gatsby e ficou rico explorando contrabando de bebida durante a Lei Seca. Para ele, entretanto, não basta nadar em dinheiro; Gatsby também quer ser aceito socialmente pela elite.

Em uma conversa no Hotel Plaza, em Nova York, o personagem diz que tirou seu diploma pela Universidade de Oxford. Um dos presentes, no entanto, percebe que ele está mentindo e o confronta. Seu argumento: alguém formado em Oxford jamais utilizaria um terno cor-de-rosa (roupa que ele está usando).

Repare na ordem das coisas. Naquela sala do Plaza, Gatsby tinha contra si um contrabando de bebidas, sócios criminosos e um nome falso, mas nada disso foi usado contra ele. O que o derrubou, antes de qualquer coisa, foi uma peça de roupa. É assim que funciona fora da ficção também: a aparência chega ao interlocutor muito antes do currículo e forma um juízo que depois custa caro desfazer.

Ninguém precisa gostar dessa regra para ser submetido a ela. Vestir-se com cuidado não garante reputação alguma, pois isso se constrói com trabalho entregue e palavra cumprida. Mas ser descuidado com suas roupas pode impedir que alguém fique por perto o tempo suficiente para descobrir o que você tem a oferecer.

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