Presidente dos EUA sinaliza abertura para diálogo após sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros; governo americano acusa Brasil de ameaçar segurança dos EUA e censurar big techs
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode entrar em contato com ele “quando quiser” para discutir a tarifa extra de 50% imposta pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. A declaração foi feita durante entrevista coletiva nos jardins da Casa Branca.
“Ele pode falar comigo quando quiser”, disse Trump, ao ser questionado pela imprensa. O republicano voltou a criticar a condução do governo brasileiro, dizendo que “as pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, mas reiterou seu carinho pelo país: “Eu amo o povo brasileiro.”
Durante uma conversa com jornalistas, a correspondente da #GloboNews @Rkrahenbuhl perguntou a Donald Trump se estaria aberto a negociar as tarifas impostas ao Brasil. Trump respondeu que o presidente Lula "pode falar comigo quando quiser", repetindo a frase várias vezes.… pic.twitter.com/gtqJvXHftZ
— GloboNews (@GloboNews) August 1, 2025
A sobretaxa sobre produtos brasileiros foi anunciada por Trump em julho, em carta enviada ao presidente Lula. No documento, o norte-americano também afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de perseguição política e criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por decisões que, segundo ele, violam a liberdade de expressão e afetam empresas de tecnologia americanas.
Na sequência, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos anunciou uma investigação sobre as práticas comerciais do Brasil. No dia 30 de julho, Trump confirmou que a nova tarifa será aplicada e, no dia seguinte, assinou uma ordem executiva estabelecendo que a medida entrará em vigor em 6 de agosto.
Apesar da sobretaxa, cerca de 700 produtos brasileiros foram isentados da medida, entre eles suco e polpa de laranja, castanhas, minérios e aeronaves civis. Segundo a Casa Branca, o Brasil representa uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional e à política externa dos EUA. O comunicado também afirma que, caso o governo brasileiro retaliasse, novas elevações tarifárias poderiam ser aplicadas.
Ainda de acordo com a nota oficial americana, decisões do ministro Alexandre de Moraes relacionadas às big techs configuram coerção contra empresas americanas. Moraes foi recentemente alvo de sanções pela Lei Magnitsky, que permite punições a autoridades estrangeiras acusadas de abusos de direitos humanos.
Trump, por outro lado, sinalizou que o Brasil pode reverter a medida se “der passos significativos” para se alinhar aos EUA em questões de segurança, economia e política externa.
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