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Café vendido aos EUA pode ter tarifa zerada, sugere secretário sem citar o Brasil

Da redação
29 de julho de 2025
Faltando três dias para o início do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, Howard Lutnick citou também manga, abacaxi, coco e cacau, mas lembrou que a decisão final é de Trump

Os Estados Unidos deram o primeiro indício de eventual revisão das alíquotas de importação para produtos brasileiros. Em entrevista à CNBC, nesta terça-feira (29), o secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que alguns produtos agrícolas que não são cultivados nos EUA poderiam ter tarifas zeradas. Sem citar nenhum país específico de onde viriam os “recursos naturais”, ele falou que o interesse seria sobre commodities como café, manga, abacaxi, coco e cacau.

O Brasil é o maior produtor global e o principal exportador de café aos EUA, suprindo cerca de 33% da demanda. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), entre janeiro e maio de 2025, foram embarcadas ao país 2,87 milhões de sacas, o equivalente a 17,1% de todo o volume exportado pelo Brasil,

Lutnick deixou claro que a decisão é do presidente Donald Trump, que ordenou a cobrança de um tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto – a maior aplicada até o momento: “São recursos naturais. Quando o presidente faz um acordo, ele inclui que, se você produz algo, e a gente não, isso pode vir por [tarifa] zero.” E completou: “Se vamos negociar com um país que produz manga ou abacaxi, então eles podem entrar sem tarifa. Café, coco, são outros exemplos de recursos naturais”.

É preciso destacar que a afirmação surgiu logo após o vice-presidente e ministro Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, ter conversado com o secretário. Em nome do governo, Alckmin tenta colocar alguns produtos fora da nova taxação. Em especial, café, laranja e aeronaves.

Lutnick reforçou que o prazo final de Donald Trump para impor tarifas a uma série de parceiros comerciais não será adiado novamente e que apenas a negociação com a China deverá se estender por mais algum tempo, em um cronograma separado. Para os demais, o prazo para se fechar um acordo termina em três dias.  

Ao ser questionado sobre o andamento das negociações com parceiros específicos, Lutnick sugeriu que Trump rejeitou repetidamente possíveis acordos em busca de condições mais vantajosas. “O que aconteceu foi que muitos países nos fizeram ofertas razoáveis para abrir seus mercados. Coisas como 50%, 30%” disse Lutnick. “O presidente disse: ‘Não, não, eu quero os mercados completamente abertos'”, contou. “Mas [o presidente] sabe que pode simplesmente definir a tarifa, estabelecer o preço e seguir em frente”, completou.

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