Em entrevista a MONEY REPORT, Marcelo Ramos, fundador e CEO do Kesh, explicou como surgiu a fintech que promete devolver 100% dos juros e tarifas no crédito emergencial. O executivo, com mais de duas décadas de experiência em inovação e criação de novos mercados, contou que a ideia veio ao observar o impacto devastador do endividamento informal no Brasil, onde muitas pessoas recorrem a agiotas ou lojas de crédito de rua e acabam presas em ciclos de dívidas impagáveis.
“O Kesh nasce para tirar pessoas do crédito predatório e dar uma alternativa digna e formal. A nossa tese é transformar juros em poder de compra e devolver 100% para quem mais precisa.”
Conforme explicou o CEO, o Kesh funciona de forma simples. O cliente acessa crédito emergencial formal e digital, mesmo com nome negativado, e em segundos recebe o valor necessário. Os juros cobrados na operação não ficam com o banco, mas retornam integralmente ao usuário em forma de poder de compra, como vouchers de alimentação, transporte ou saúde. Esse modelo transforma o custo financeiro em benefício direto e cria um ecossistema em que empresas parceiras remuneram o Kesh por trazer novos clientes, tornando a operação sustentável.
Marcelo destacou na conversa que o Kesh é uma operação B2B, voltada para empresas que desejam oferecer benefícios financeiros reais aos colaboradores. Ele lembra que problemas como absenteísmo e turnover muitas vezes têm origem em dificuldades financeiras básicas, e que apoiar o funcionário nesse ponto é estratégico para qualquer organização.
A trajetória de Marcelo Ramos ajuda a entender o nascimento do Kesh. Antes, ele foi fundador da Vee Benefícios, primeira carteira de benefícios flexíveis do Brasil, que depois passou por um processo de fusão com o grupo francês Swile, avaliado em US$ 1 bilhão e líder global no setor. Foi nesse ambiente que ele percebeu a dor dos colaboradores endividados e decidiu criar uma solução voltada ao crédito emergencial. “A indignação positiva é o que me move. Quando algo me incomoda, eu crio uma solução.”
Na entrevista, Marcelo Ramos também comentou sobre o papel da tecnologia no setor financeiro. Para ele, o Pix é um exemplo de revolução que digitalizou o dinheiro e bancarizou até pessoas em situação de vulnerabilidade. O Brasil, segundo ele, está na vanguarda mundial em fintechs e sistemas de pagamento, mas ainda enfrenta concentração bancária. Há espaço para novas soluções que, como o Kesh, unam impacto social e sustentabilidade empresarial.
“O futuro está na hiperpersonalização. Usar tecnologia para oferecer tudo que o cliente precisa em um único lugar. Empresas grandes já têm tecnologia suficiente para se tornarem seus próprios bancos.”
