Trump impõe tarifa de 50% sobre importações do Brasil a partir de 6 de agosto, mas poupa Embraer, suco de laranja, veículos, metais, energia, óleos e derivados de petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma ordem executiva que impõe uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados. A decisão, com entrada em vigor prevista para o dia 6 de agosto, foi justificada com base em supostas ameaças à segurança nacional e à política externa americana, com menções diretas ao governo brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Apesar da retórica dura, a medida veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, muitas delas negociadas previamente pelo governo brasileiro, com articulação do vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do setor produtivo. Entre os itens poupados estão aeronaves e peças da Embraer, suco de laranja, castanhas, fertilizantes, petróleo e derivados, além de produtos de madeira, celulose, metais preciosos e energia.
As exceções representam um alívio para setores estratégicos da economia nacional e foram fundamentais para evitar um impacto ainda maior na balança comercial. A ação da Embraer, por exemplo, chegou a oscilar fortemente com os rumores sobre o tarifaço, mas fechou em alta de mais de 10% após a confirmação da isenção.
Fora da nova cobrança
- Artigos de aeronaves civis: aviões, motores, peças, simuladores, pneus, estruturas metálicas, mangueiras e sistemas elétricos.
- Veículos e peças específicas: sedans, SUVs, minivans, vans de carga, caminhões leves e seus componentes.
- Produtos de ferro, aço, alumínio e cobre: itens semiacabados e componentes industriais.
- Fertilizantes: alguns de amplo uso.
- Produtos agrícolas: suco de laranja, polpa de laranja, castanha-do-brasil, fios de sisal ou de agave.
- Celulose de madeira
- Madeiras: tropicais serrada, lascada longitudinalmente, fatiada ou descascada, com espessura superior a 6 mm.
- Metais e minerais específicos: silício, ferro-gusa, alumina, ferroníquel, ferronióbio e outros produtos ferrosos.
- Ouro: não monetária, em lingotes ou pré-refinada.
- Prata em lingotes ou pré-refinada.
- Silício: certos tipos, como mica bruta para cosmética.
- Estanho: concentrados.
- Alumina metalúrgica.
- Energia e produtos energéticos: carvão, gás natural, petróleo, querosene, óleos lubrificantes, parafina, coque de petróleo, betume, misturas betuminosas e até energia elétrica.
- Bens retornados aos EUA: produtos enviados para conserto, modificação ou processamento sob certas condições.
- Bens em trânsito: mercadorias que saíram antes da vigência da medida e chegam até 5 de outubro.
- Produtos de uso pessoal: itens em bagagens de passageiros.
- Materiais informativos: publicações, filmes, pôsteres, discos fonográficos, fotografias, microfilmes, microfichas, fitas, CDs, CD-ROMs, obras de arte e feeds de notícias.
- Donativos e materiais informativos: doações de alimentos, roupas, medicamentos, livros, obras de arte, filmes e conteúdo jornalístico.
Serão taxados
- Carnes
- Café
- Frutas
- Máquinas agrícolas e industriais (estão fora itens para a indústria de papel e celulose)
- Móveis (foram isentados assentos e móveis de metal ou plástico usados em aeronaves civis)
- Têxteis (fio de sisal para enfardamento e certos produtos destinados a aeronaves civis, foram excluídos da tarifa adicional de 40%)
- Calçados
Impacto para o Brasil
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou que, apesar das exceções à tarifa imposta pelos Estados Unidos representarem um cenário menos severo do que o inicialmente projetado, os impactos sobre a economia brasileira ainda serão significativos. Segundo ele, os efeitos devem ser analisados com cautela, setor a setor, já que áreas como as de carnes, frutas e café, essenciais para o agronegócio, ficaram de fora da lista de isenções e serão diretamente afetadas pela sobretaxa.
Ceron afirmou ainda que o governo já possui um plano de mitigação pronto para responder ao tarifaço. A proposta aguarda apenas a autorização do presidente para ser anunciada e será calibrada de acordo com o grau de impacto em cada segmento da economia.
A decisão evidencia uma fragilidade estrutural da economia brasileira: a dependência excessiva de poucos mercados estratégicos, como os próprios EUA. Apesar de setores como aviação, energia e derivados de petróleo terem sido poupados após articulação do governo brasileiro, produtos de alto valor nas exportações nacionais, como carne, café e frutas, ficaram de fora das exceções e agora enfrentam perda de competitividade no mercado americano. Isso ameaça diretamente o agronegócio, um dos motores da economia do país.
Por outro lado, Trump sai fortalecido do episódio: aplica uma sanção simbólica ao Brasil sem afetar setores estratégicos dos EUA e alimenta sua base política com o discurso de proteção nacional e combate a governos que ele classifica como “autoritários”. Em ano eleitoral, a medida lhe rende ganhos de imagem com baixo custo econômico interno. Para o Brasil, o tarifaço é um alerta sobre a urgência de diversificar mercados, revisar acordos comerciais e adotar uma política externa mais assertiva e técnica, menos vulnerável a choques ideológicos.
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