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Após forçar os limites em vão, Bolsonaro faz agrados ao Judiciário

Deborah Hana Cardoso
22 de outubro de 2021

Após as investidas de teor golpistas do presidente Jair Bolsonaro (à direita) contra o Supremo Tribunal Federal (STF), uma postura conciliadora aos poucos toma forma com mimos institucionais e, claro, verbas. Esta semana, o chefe do Executivo criou o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), sediado em Belo Horizonte, que atuará exclusivamente com as demandas de Minas Gerais. Em discurso breve, Bolsonaro reiterou seu papel de padrinho e atribuiu o sucesso ao “lobby do pão de queijo”, se referindo aos senadores mineiros, incluindo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Na cerimônia, ocorrida em Brasília, estava o presidente do STF, Luiz Fux (à esquerda), que não aparecia ao lado de Bolsonaro desde a semana do 7 de setembro, quando fez um duro discurso em defesa da Corte e contra atos antidemocráticos. Na ocasião, o presidente disse que não cumpriria as ordens judiciais emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes, que investiga seus aliados. Agora em fase paz e amor, Bolsonaro se referiu a Fux e ao ministro Kássio Nunes como “amigos do Poder Judiciário”, sem citar Moraes.

O recuou apaziguador incluiu um projeto de lei ao Congresso que prevê a abertura de crédito suplementar de R$ 83,8 milhões em favor das justiças Federal, Eleitoral e do Trabalho, além do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O mais curioso é que R$ 46,5 milhões do crédito suplementar irão para a Justiça Eleitoral para custear as próximas eleições, aquelas que Bolsonaro dizia desconfiar por antecipação do resultado por causa das urnas eletrônicas. Desse dinheiro, a parte do eleitoral viria das despesas primárias previstas no teto de gastos, explicou a Secretaria-Geral da Presidência da República. Os outros R$ 37,3 milhões entrariam como gastos a mais que aumentariam ainda mais o déficit fiscal, podendo ser contingenciados em algum momento politicamente mais propício.

Essa mudança de postura é mérito do ex-presidente de Michel Temer, que em 9 de setembro saiu em socorro do mandatário, que estava sob pesadas críticas do mercado financeiro, do empresáriado, da imprensa internacional e do próprio Centrão. É preciso lembrar que a crise foi criada pelo próprio presidente.

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