Ministro diz que Brasil está pronto para negociar, mas evita prever adiamento das tarifas de 50% impostas pelos EUA
A três dias da entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (29) que ainda acredita na possibilidade de diálogo com o governo norte-americano, mas defendeu que as conversas ocorram de forma “respeitosa” e com preparação diplomática adequada.
“Tem que haver uma preparação antes para que seja respeitosa, para que os dois povos sejam valorizados na mesa de negociação”, declarou o ministro. Segundo ele, o governo brasileiro aguarda uma resposta formal dos EUA às duas cartas enviadas com propostas de negociação.
Apesar de mencionar “algum sinal de interesse” por parte das autoridades norte-americanas, Haddad evitou alimentar expectativas sobre um eventual adiamento do tarifaço, previsto para entrar em vigor em 1º de agosto. “Tem sido uma decisão unilateral, não só em relação ao Brasil”, ressaltou.
Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin apresentaram nesta segunda-feira (28) diferentes cenários de resposta ao impacto econômico da medida. Um deles inclui um plano semelhante ao Programa Emergencial de Manutenção do Emprego, adotado durante a pandemia, mas a decisão final caberá ao presidente Lula.
Paralelamente, o governo intensificou esforços diplomáticos. Em Nova York, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sinalizou disposição para o diálogo. Já em Washington, uma comitiva de oito senadores brasileiros tenta sensibilizar parlamentares e empresários dos EUA contra a medida, com a expectativa de que a Câmara de Comércio norte-americana se posicione oficialmente.
Segundo Haddad, a mobilização busca criar condições para um possível encontro entre Donald Trump e Lula, ainda sem data confirmada. “Quando chefes de Estado vão conversar, tem uma preparação antes”, concluiu.
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