Medidas incluem crédito com juros subsidiados e devolução de ICMS em São Paulo; Ministério da Fazenda busca solução com menor impacto fiscal
Diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, os governos Federal e de São Paulo preparam medidas de apoio às empresas afetadas, com foco especial nas exportadoras paulistas, mais diretamente impactadas.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (23) que a equipe econômica trabalha em ações pontuais e com baixo custo fiscal. “Tudo vai ser feito de maneira gradual, pontual e para eventuais setores que possam ter tido prejuízo, e com o menor impacto fiscal possível”, declarou.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia sinalizado no início da semana que o governo poderá acionar instrumentos de suporte. “Pode ser que nós tenhamos que recorrer a instrumentos de apoio a setores que injustamente estão sendo afetados”, disse.
Durigan também destacou que o governo federal ainda trabalha pela reversão da tarifa, ao mesmo tempo em que avalia o possível impacto da medida sobre a atividade econômica, inflação e demais indicadores.
No plano estadual, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou a criação de linhas de crédito com juros subsidiados e uma “grande entrega de crédito de ICMS” para ajudar exportadores a enfrentarem o impacto do tarifaço.
“Vamos aumentar o fundo garantidor para oferecer crédito a esses setores mais afetados. Também faremos uma grande devolução de crédito de ICMS, para abastecer essas empresas com recursos financeiros e ajudá-las a superar esse período crítico”, disse Tarcísio.
O governador também se mostrou otimista quanto a uma solução negociada para a crise comercial, destacando a importância de colocar o interesse nacional acima das disputas políticas. “A questão política é um entrave, mas é hora de deixar a política de lado e ver o interesse nacional”, afirmou.
A decisão do presidente norte-americano Donald Trump, que atribuiu parte da justificativa da tarifa ao processo judicial contra Jair Bolsonaro no STF, acirrou a tensão entre os dois países. Trump classificou a investigação como uma “caça às bruxas”, intensificando o tom geopolítico da disputa.
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