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Tarifa de Trump pode reduzir PIB do Rio em R$ 830 mi

Da redação
24 de julho de 2025
Medida ameaça exportações de petróleo e aço, coloca 88 mil empregos em risco e mobiliza governo estadual para buscar medidas emergenciais

A possível entrada em vigor da tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros ameaça causar um prejuízo de R$ 830 milhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio de Janeiro, segundo estimativas da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).

Embora a sobretaxa ainda não tenha sido oficializada, o setor industrial fluminense já acende o alerta. Em 2024, o estado exportou US$ 7,4 bilhões para os EUA, sendo 90% em petróleo e aço, setores diretamente atingidos pela medida. Atualmente, os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações fluminenses, atrás apenas da China.

Cidades e empregos em risco

O impacto previsto pela Firjan pode ser sentido especialmente nas cidades que concentram atividades industriais ligadas ao petróleo e à metalurgia, como Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Macaé, Petrópolis, Volta Redonda e São João da Barra. Esses setores empregam diretamente cerca de 88 mil trabalhadores no estado.

Segundo o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, as pequenas e médias empresas, que fazem parte da cadeia de suprimentos dessas grandes indústrias, também devem ser fortemente impactadas. “Na medida em que haja dificuldade na exportação, a atividade principal reduz sua intensidade, afetando toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Resposta emergencial

Diante do cenário adverso, o governo estadual criou um grupo de trabalho emergencial com representantes da Firjan, da Fecomércio e da Associação Comercial. A primeira reunião foi realizada no Palácio Guanabara, e a expectativa é que uma nota técnica com propostas de curto prazo seja apresentada em até 10 dias.

“Vamos estudar, se necessário, linhas de crédito com a Age-Rio para apoiar as empresas mais vulneráveis”, declarou o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. O foco inicial são as pequenas e médias empresas, com menor capacidade de absorver perdas.

Pressão por diplomacia

A Firjan defende uma atuação firme do governo federal na tentativa de reverter as tarifas por meio de negociações com os Estados Unidos. “O único caminho razoável é a diplomacia. É estender as negociações até onde for possível para se chegar a um bom termo”, reforçou Caetano.

A expectativa é que a medida tarifária, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, ainda possa ser revertida — mas, enquanto isso, cresce a apreensão entre empresários e autoridades sobre os efeitos imediatos na economia fluminense.

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