Negócio de US$ 250 milhões foi liderado pela Vitol; operador da trading é doador da campanha de Trump
A primeira venda de petróleo bruto da Venezuela autorizada pelos Estados Unidos após a mudança no controle do setor foi concluída neste mês em um negócio de US$ 250 milhões liderado pela Vitol. Um dos executivos envolvidos na operação, John Addison, operador sênior da companhia em Houston, é também um dos principais doadores da campanha de reeleição do presidente Donald Trump.
Segundo dados do OpenSecrets, Addison doou cerca de US$ 6 milhões a comitês ligados a Trump, sendo US$ 5 milhões em outubro de 2024 e mais de US$ 1 milhão a outros dois grupos alinhados ao republicano. Dias antes do anúncio do acordo, o executivo se reuniu com Trump, acompanhado de Ben Marshall, chefe da operação da Vitol nos Estados Unidos. De acordo com o Financial Times, a empresa foi a única trading representada por dois executivos no encontro.
À publicação britânica, a Vitol afirmou que as doações foram feitas em caráter pessoal. A Casa Branca, por sua vez, declarou que Trump atua sempre no interesse dos americanos e classificou suspeitas de conflito de interesses como tentativas da mídia de desviar o foco.
Além da Vitol, a Trafigura também adquiriu US$ 250 milhões em petróleo venezuelano. A trading informou ter gasto US$ 525 mil em atividades de lobby nos Estados Unidos entre 2024 e 2025. O primeiro carregamento comprado pelas empresas chegou ao terminal de Bullen Bay, em Curaçao, estrutura capaz de receber superpetroleiros com mais de 1 milhão de barris, segundo autoridades locais.
Controle da indústria venezuelana
Após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, Washington anunciou que manterá o controle da indústria petrolífera venezuelana por tempo indeterminado. Um embargo naval foi imposto ao país, enquanto o governo americano passou a incentivar empresas ocidentais a investir até US$ 100 bilhões na reconstrução da infraestrutura e no aumento da produção.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o petróleo venezuelano foi vendido com um prêmio de 30% em relação aos preços praticados durante a gestão anterior, quando sanções forçavam Caracas a oferecer descontos, sobretudo a refinarias chinesas de menor porte.
A Casa Branca também defende que a maior parte do petróleo seja direcionada a compradores americanos. Questionadas pelo Financial Times, Vitol e Trafigura não comentaram se há restrições à revenda para outros mercados.
A Chevron, única petroleira dos EUA com presença consolidada na Venezuela, negocia com autoridades americanas a ampliação de sua licença para exportar mais petróleo. Em 2024, a empresa gastou US$ 9,2 milhões em lobby e doou US$ 10 milhões a campanhas políticas, majoritariamente a candidatos republicanos.
O setor de petróleo figurou entre os maiores financiadores da campanha de Trump. Em maio de 2024, o então candidato se reuniu com executivos do setor em Mar-a-Lago e prometeu flexibilizar regulações ambientais em troca de apoio financeiro.
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