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Maduro deve ser o Noriega da vez

Rodrigo Dias
3 de janeiro de 2026
Ex-aliado dos EUA e informante da CIA, ditador do Panamá foi capturado em janeiro de 1990 após se refugiar na embaixada do Vaticano. Ele também foi condenado por acusações de tráfico

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro na madrugada de sábado (3) ensaia um final semelhante ao do general Manuel Noriega. Ex-aliado dos EUA e informante da CIA, Noriega governou o Panamá durante grande parte da década de 1980, mas caiu em desgraça com Washington no final de seu governo devido a acusações de tráfico de drogas.

O ex-presidente George H.W. Bush ordenou que os militares dos EUA invadissem o Panamá no final de 1989, levando Noriega a se refugiar na embaixada do Vaticano antes de se entregar às autoridades americanas em 3 de janeiro de 1990. Ele foi condenado nos EUA por acusações de tráfico de drogas e passou 20 anos em uma prisão americana antes de ser enviado para a França para cumprir uma sentença por lavagem de dinheiro, e depois para o Panamá, onde foi preso por assassinato e outras acusações. Noriega morreu no Panamá em 2017.

Além de Maduro e Noriega, Washington também cruzou a mesma linha em 2003, quando o alvo era Saddam Hussein, que governava o Iraque desde os anos 1970. Após os atentados de 11 de setembro, Saddam foi apresentado pela Casa Branca como ameaça global. As acusações incluíam armas de destruição em massa e vínculos com o terrorismo — alegações que mais tarde se revelariam falsas, mas que serviram de base para a invasão.

Em março de 2003, tropas americanas entraram no Iraque. Meses depois, Saddam foi encontrado escondido em um buraco próximo a Tikrit, em uma operação transmitida para o mundo. Diferentemente de Noriega, ele não foi levado aos EUA. Foi entregue às autoridades iraquianas, julgado e executado. A captura de Saddam se tornaria o símbolo máximo da política de mudança de regime pela força — e também o início de um longo trauma político para os próprios Estados Unidos.

Por outra ótica da história, o ditador venezuelano pode trilhar os mesmos caminhos de Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc. O ditador haitiano governou o país de 1971 a 1986, sucedendo seu pai, François, Papa Doc Duvalier, aos 19 anos, mantendo um regime repressivo marcado por torturas, assassinatos e corrupção através da milícia Tonton Macoute. Em 1986, fugiu para o exílio na França em meio a protestos populares e crise econômica, retornando ao Haiti em 2011, onde morreu em 2014.

Ao que tudo indica, o destino de Maduro será o de mesmo Noriega. Ou Baby Doc?

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