Departamento de Justiça reformula denúncia e passa a tratar o “Cartel de los Soles” como um sistema de corrupção, não como organização criminosa
Os Estados Unidos recuaram de uma acusação que apontava o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, como líder de um suposto cartel internacional de drogas conhecido como “Cartel de los Soles”. A mudança consta em uma denúncia reformulada apresentada no sábado (3) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no mesmo dia da captura do líder venezuelano.
A acusação original, aberta em 2020, descrevia Maduro como chefe da organização criminosa. No novo documento, os promotores abandonam essa caracterização e passam a tratar o chamado Cartel de los Soles como um sistema de corrupção alimentado por recursos do narcotráfico, e não como um cartel estruturado.
Segundo análise publicada pelo The New York Times, especialistas afirmam que o grupo, como organização formal, nunca existiu. O termo teria surgido na década de 1990, criado pela imprensa venezuelana para se referir a autoridades corruptas envolvidas com dinheiro do tráfico de drogas.
Na versão atualizada da denúncia, Maduro segue acusado de participação em uma conspiração relacionada ao tráfico internacional de entorpecentes, mas sem a alegação de que liderava um cartel. Enquanto o texto anterior mencionava o Cartel de los Soles 32 vezes, a nova acusação cita o termo apenas duas vezes.
Os promotores afirmam agora que Maduro, assim como seu antecessor Hugo Chávez, participou, perpetuou e protegeu um esquema sistêmico de corrupção e enriquecimento associado ao narcotráfico.
Trump comenta ofensiva na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta terça-feira (6) a operação militar norte-americana em território venezuelano durante reunião com parlamentares republicanos. Segundo Trump, a ofensiva foi “complexa e incrível” e teria contado com o apoio da população venezuelana.
O presidente afirmou que nenhum americano morreu na ação, mas reconheceu que houve muitas baixas do lado venezuelano. Trump mencionou a morte de mais de 30 cubanos que faziam a guarda de Maduro, lamentando as perdas, mas dizendo que eles “sabiam dos riscos”.
ONU critica ação militar
Mais cedo, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a operação dos Estados Unidos em Caracas violou de forma clara princípios fundamentais do direito internacional. A porta-voz do escritório de direitos humanos da entidade, Ravina Shamdasani, citou o Artigo 2º da Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
A Casa Branca classificou a ofensiva como uma “operação para o cumprimento da lei”, mas a legalidade da ação tem sido questionada inclusive dentro dos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (7), integrantes da Câmara dos Deputados e do Senado norte-americanos devem receber, a portas fechadas, informações detalhadas sobre a operação na Venezuela, incluindo esclarecimentos sobre sua base legal.
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