Conselho de Segurança vira palco de choque global após ação dos EUA; China fala em “bullying”, Rússia acusa “hipocrisia”, Colômbia vê interferência e Brasil alerta: “não podemos aceitar que os fins justifiquem os meios”
A reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira (5), escancarou as fissuras diplomáticas abertas pela captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Em poucas horas, o plenário concentrou acusações duras, defesas sem rodeios e alertas sobre soberania, direito internacional e o risco de um precedente perigoso.
Do lado crítico, China e Rússia puxaram o tom mais severo. O embaixador chinês Fu Cong disse estar “profundamente chocado” e classificou a operação como bullying, afirmando que nenhum país pode agir como “polícia ou tribunal internacional”. Já o russo Vasily Nebenzya acusou Washington de “hipocrisia e cinismo” e alertou que o mundo não pode permitir que os EUA se tornem um “juiz supremo” capaz de depor governos inconvenientes.
A Colômbia, que solicitou a sessão de urgência, comparou a operação aos “piores momentos de interferência” na América Latina. Para Bogotá, o uso unilateral da força por um membro permanente do Conselho ameaça a região como zona de paz e cria um precedente grave — sobretudo quando envolve recursos estratégicos.
No campo institucional, o secretário-geral António Guterres pediu respeito à soberania, à integridade territorial e à independência política dos Estados. Em mensagem lida por Rosemary DiCarlo, Guterres alertou para a escalada de instabilidade regional e para o impacto do precedente nas relações internacionais.
O Brasil, embora não seja membro permanente do Conselho, fez uma das intervenções mais enfáticas do dia. O embaixador Sérgio Danese afirmou que “não podemos aceitar que os fins justifiquem os meios”, rechaçando qualquer legitimidade ao argumento de força. Segundo ele, “o uso da força na nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos que estavam para trás”, além de ameaçar a paz internacional e o princípio da não intervenção. Danese cobrou do Conselho “determinação, clareza e obediência ao direito internacional” e reiterou que o Brasil acredita na estrutura jurídica multilateral.
Na defesa, os EUA negaram guerra ou ocupação. O embaixador Mike Waltz classificou a ação como “operação de aplicação da lei”, chamou Maduro de “fugitivo da Justiça” e disse que Washington não permitirá que a Venezuela se torne base de atuação de adversários nem que grandes reservas energéticas fiquem sob controle hostil aos interesses americanos.
A Venezuela acusou os EUA de enviarem a mensagem de que “seguir a lei é opcional” e pediu ao Conselho a condenação inequívoca do uso da força, a libertação imediata de Maduro e de Cilia Flores, além de medidas de desescalada e proteção de civis.
Enquanto os discursos se acumulam em Nova York, Maduro e Cilia Flores são apresentados à Justiça americana para audiência inicial.
(Em atualização)
O que MR publicou
- Juiz do 11 de Setembro comandará caso Maduro
- Reunião de emergência da ONU sobre Venezuela ocorre nesta segunda (5)
- Após Venezuela, Trump diz que operação contra Colômbia ‘soa bem’
- Trump ameaça Delcy Rodríguez, enquanto militares garantem sua posse
- Quem é Delcy Rodríguez, a vice de Maduro que assume com aval de Trump
- Chevron reinava sozinha na Venezuela — agora pode enfrentar concorrência
- China pede aos EUA a libertação imediata de Maduro e sua esposa
- Maduro deve ser o Noriega da vez
- Os detalhes que envolvem a captura de Maduro
- EUA invadem Venezuela e capturam Maduro. E agora?
- Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente, diz NYT
- Vice da Venezuela exige prova de vida de Maduro após captura
- Invasão militar na Venezuela partiu de 20 bases e usou 150 aeronaves
- Trump confirma ataque dos EUA à Venezuela e diz que Maduro foi capturado
