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Necessária, tardia e insuficiente

André Vargas
9 de março de 2026
A nota do escritório de Viviane de Moraes chove no molhado. Como ficarão Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na hora de alguma decisão sobre o caso Master ser votada no pleno do STF?

A divulgação da nota do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que atendia o Banco Master e tem como uma das sócias a esposa do ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, foi apresentada nesta segunda-feira (9) sem revelar detalhes do contrato e o teor dos assuntos discutidos em 94 reuniões, sendo 79 delas presenciais que produziram 36 pareceres e resultaram na contratação de outras três bancas para ajudar. Por isso, se tornou uma iniciativa inócua e fora do tempo, com jeito de formalidade burocrática.

Não é o necessário após três meses e o apelo ao sigilo contratual ficou parecendo só uma desculpa, ainda mais diante do valor de R$ 129 milhões para três anos, com pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões suspensos em novembro, com a liquidação.

Em uma situação um pouco menos gravosa para o marido, Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes e seus colegas poderiam apenas alegar que se trataria de um contrato privado e pronto. O enorme problema – que a nota não resolve – é que está cada vez mais claro e comprovado que o Master criou um ecossistema de tráfico de influência junto ao poder para blindar suas atividades ilegais – algo que necessitaria de defesa jurídica em prontidão. Portanto, resta saber que serviços exatamente eram prestados ao banco falido e em que grau essa relação era próxima de Alexandre. Só assim será possível eliminar ou, mais provável, aliviar as suspeitas de que o banqueiro Daniel Vorcaro usaria Viviane mediante paga. Nada disso está claro.

O vazamento das supostas mensagens de visualização única entre Vorcaro e Moraes tornam tudo mais nublado. Viviane afirma que nunca conduziu nenhuma causa para o Master junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro nega qualquer contato.

Essa dúvida fere o STF justo em após se momento de maior relevância, com as condenações da intentona de 8 de janeiro, e transborda até a iminente campanha eleitoral, colocando sob suspeição o trabalho de Moraes e abrindo flanco para a discussão de uma lei de impedimento aos integrantes do STF. Porém, o feitiço pode virar contra deputados e senadores de todos os espectros, já que Vorcaro teria corrompido parte dessa turma. Se as investigações avançarem nesta direção, as aparências para Moraes e Viviane seriam salvas, a depender do teor de uma eventual delação do banqueiro e o que puder ser comprovado dali.

Porém, como ficariam eventuais votações no pleno do STF sobre decisões do relator do caso Master, o ministro André Mendonça, se Moraes não se declarar impedido? E pior. Como ficaria Dias Toffoli na mesma situação, já que suas ligações com o Master são ainda mais suspeitas?

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