Conflito no Oriente Médio volta a pressionar preços do barril da commodity. Entenda essa lógica
O mercado internacional de petróleo atingiu seu pico em meados de 2008, em um período marcado por forte volatilidade e por um distanciamento entre os preços negociados no mercado e os custos reais de produção.
Em 11 de julho de 2008, as duas principais referências globais do petróleo registraram recordes. O barril do tipo Brent foi negociado a cerca de US$ 147,50, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) alcançou US$ 147,27.
Os valores representaram o auge de um ciclo de valorização iniciado em janeiro de 2002, quando o barril era vendido por US$ 19,42. Em pouco mais de seis anos, o preço acumulou uma alta nominal de 584%, impulsionada por uma combinação de fatores econômicos e financeiros
Entre 2007 e meados de 2008, o petróleo passou por uma rápida valorização impulsionada pelo forte crescimento da demanda mundial e por preocupações com a capacidade futura de oferta.
Por que bateu recorde em 2008?
Segundo análise da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o aumento do consumo global, especialmente em economias emergentes como China e Índia, contribuiu para pressionar os preços no período.
Além dos fundamentos de mercado, fatores financeiros também tiveram relevância. Um estudo da Stanford Graduate School of Business apontou que fluxos de investimento ampliaram a volatilidade.
Segundo falas do economista Kenneth J. Singleton à Stanford, houve um “efeito economicamente e estatisticamente significativo dos fluxos de investidores sobre os preços dos contratos futuros.”
Contratos de petróleo que estavam perto de US$ 52 por barril em janeiro de 2007 subiram até atingir o recorde histórico em julho de 2008.
Poucos meses depois, no entanto, os preços despencaram com a deterioração da economia global durante a crise financeira global de 2008 e a diminuição da demanda.
Até dezembro daquele ano, o preço do petróleo havia caído cerca de 77%, sendo negociado abaixo de US$ 40 por barril.
O debate sobre especulação e “bolha”
Um levantamento do Peterson Institute for International Economics, publicado em 2009, argumentou que a valorização superior a 50% apenas no primeiro semestre de 2008 poderia indicar a formação de uma “bolha”.
No mesmo período, o volume de contratos negociados em bolsas como a New York Mercantile Exchange (Nymex) chegou a ser cerca de 15 vezes superior à produção física diária de petróleo.
Quase duas décadas depois do recorde histórico, o mercado de petróleo continua sensível a choques geopolíticos.
Nesta segunda-feira, 9, os preços voltaram a subir com força em meio à escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos (EUA) no Oriente Médio.
Os contratos futuros do petróleo avançaram cerca de 20% em um único dia, alcançando patamares não vistos desde 2022, segundo fontes do mercado ouvidas pela Reuters.
O barril do Brent chegou a US$ 119,50, enquanto o WTI avançou para uma faixa entre US$ 108 por barril, refletindo temores envolvendo o fornecimento global do óleo.
A escalada militar levou produtores da região a reduzir a produção em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz, corredor marítimo responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo.
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Por Ana Luiza Serrão
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