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Queiroga diz que pico da ômicron ainda não chegou – mas ignora os antivacina

Se a campanha de vacinação cair de ritmo sem cuidar dos hesitantes, milhares poderão morrer mesmo com a imunização ao alcance e mais de 80% da população atendida

Após quase dois anos de pandemia e quatro ministros da Saúde, o Brasil ainda não possui um protocolo unificado para o tratamento da covid. Felizmente, a vacinação avança bem. Na sexta-feira (4), 71,58% dos brasileiros estavam inoculados com duas doses, 6,28% com uma e 19,3% tinham recebido o reforço. Estamos perto do índice de 80% para estatisticamente ser cortada a cadeia de transmissão do vírus e a vida, provavelmente, voltar a ser um pouco mais parecida ao que era no passado. Mas há uma problema. As mortes voltaram a subir por causa da variante ômicron justo quando a campanha nacional de vacinação se bifurca em dois esforços e deixa de lado um problema que deve custar vidas.

Mais de 150 mil mortos?

Enquanto se divide em atender crianças e os que precisam de reforço, os reticentes vacinais são ignorados – ou mlhor, deixados em paz. Os dados sugerem que 15% dos brasileiros não querem saber de agulhada. Esses quase 32 milhões de pessoas fazem parte de um perigoso experimento social espontâneo. Semana passada, na maior UTI covid do SUS do país, no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, no Rio, 90% dos casos graves atingiam não vacinados. Em novembro, a unidade chegou a esvaziar – só para encher de novo. No Emílio Ribas, um dos principais centros de referência de São Paulo, oito em cada dez pacientes internados com covid na UTI não são vacinados ou estão com o esquema vacinal incompleto. Em um macabro darwinismo social, essa gente deveria aos poucos sumir. Só que não dá para um país permitir que 32 milhões coloquem em risco a saúde de mais de 180 milhões. Roteadores de covid ambulantes, boa parte dos antivacina por excelência não respeitam as regras de isolamento. Ou seja, além de adoeceram, infectam com mais afinco seus semelhantes em um momento que deveria ser o início da virada contra a doença.

3.690%

Menos letal e mais contagiosa, a versão ômicron do novo coronavírus criou uma ilusão perigosa. A proporção de mortes por covid caiu dos 2,8% vigentes desde que os dados se tornaram mais consistentes para 2,4% a partir deste janeiro. Só que em dezembro de 2021, as médias de casos a cada 7 dias estava entre 9 mil e 5 mil. Mas subiram para 189,5 mil registros a cada 7 dias na quinta-feira (3). Uma alta de absurdos 3.690% em 36 dias. No ápice, antes das vacinas começarem a brecar os contágios, foi atingida a média de 77.329 casos em 23 de junho. Já o pico da média de óbitos a cada 7 dias ocorreu em 12 de abril, com 3.124 vítimas fatais. A partir daí, a vacinação dos idosos e portadores de comorbidades começou a fazer efeito. Agora, só na primeira semana de fevereiro, houve 1,258 milhão de infecções. Desde março de 2020, foram 26,5 milhões de casos. O total é 390% maior que a média das 98 semanas anteriores.

Diante disso e para que a situação não se prolongue, é preciso mirar nos antivacina por razões humanitárias. Em uma conta otimista, essa multidão pode resultar em mais 100 mil vítimas fatais daqui em diante. Se levarmos na ponta do lápis, considerando apenas a taxa de fatalidade e ignorando os diferentes riscos etários, bateríamos mais 700 mil mortos – algo assustador que não deve ocorrer. Pensar nos atuais 632 mil vítimas fatais já é pesadelo suficiente.

7 dias

E o que faz o Ministério da Saúde? Nada de prático em aparência. No sábado (5), o ministro Marcelo Queiroga postou no Twitter que o pico da ômicron ainda não chegou. “Há espaço para abertura de novos leitos e estamos apoiando os Estados sempre que necessário. A atenção primária também tem sido reforçada”, ressaltou. No dia seguinte, pela rede social, a pasta que ele dirige recomendava isolamento domiciliar de 7 dias para quem apresentou sintomas ou testou positivo. E mais nada

Atingir a parcela hesitante da população com campanhas de esclarecimento antes que surja alguma novíssima cepa eventualmente mais mortífera é urgente. O Brasil já foi um exemplo global em campanhas de vacinação. Quando acionado, o pessoal do SUS e das UBS – a turma dos postinhos – reagiu com galhardia. Mas a Saúde ainda prefere ignorar o antigo problema, deixando para o ministro, que deveria mandar em tudo e dar o direcionamento, a tarefa de dar o recado sobre o esquema vacinal. Se isso for o máximo que for permitido fazer, o coronavírus vai continuar fazendo estragos.

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