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Laudo comprova rachadinha no gabinete de Carlos

Da redação
4 de maio de 2023
Segundo O Globo, o chefe de gabinete Jorge Fernandes recebeu depósitos sistemáticos de funcionários

O chefe de gabinete do vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), Jorge Luiz Fernandes, recebeu um total de R$ 2.014 milhões desde 2018, depositados por seis servidores nomeados pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) investiga a suspeita de rachadinha no gabinete de Carlos na câmara municipal. A movimentação financeira é o indício mais consistente obtido até o momento.

De acordo com O Globo, a informação sobre o valor recebido por Fernandes foi levantada pela equipe do Laboratório de Tecnologia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro do MP-RJ. A movimentação financeira foi comprovada pela 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada.

O levantamento foi autorizado pela Justiça do Rio e mostrou ainda que Fernandes usou contas de terceiros para pagar despesas de Carlos Bolsonaro. Agora, a promotoria pede investigações complementares para determinar se esses pagamentos foram eventuais ou regulares. Caso tenham sido regulares, será provado que o filho 02 de Jair Bolsonaro se beneficiou do desvio de salários de funcionários nomeados.

O laudo pode resultar na imputação de crime de peculato ao chefe de gabinete. De acordo com O Globo, o documento constatou que, entre 2009 e 2018, Fernandes recebeu créditos dos seguintes funcionários: Juciara da Conceição Raimundo (R$ 647 mil, em 219 lançamentos), Andrea Cristina da Cruz Martins (R$ 101 mil, em 11 lançamentos), Regina Célia Sobral Fernandes (R$ 814 mil, 304 lançamentos), Alexander Florindo Batista Júnior (R$ 212 mil, em 53 lançamentos), Thiago Medeiros da Silva (R$ 52 mil, em 18 lançamentos) e Norma Rosa Fernandes Freitas (R$ 185 mil, em 83 lançamentos).

Fernandes é casado com Regina Célia e é cunhado de Carlos Alberto Sobral Franco, que foi lotado no gabinete de Jair Bolsonaro quando o ex-presidente era deputado federal. Também conhecido como Jorge Sapão, Fernandes trabalha no gabinete de Carlos desde 2001.

Investigação sobre a “rachadinha”

No total, o Laboratório de Lavagem investigou um total de 27 pessoas e cinco empresas ligadas a Carlos Bolsonaro. O MP-RJ iniciou a investigação sobre a prática de rachadinha com base em uma reportagem publicada pela revista Época, em junho de 2019, revelando que sete parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do ex-presidente e sua madrasta, foram empregados no gabinete de Carlos, mas não compareciam ao trabalho.

Os promotores também apuram se os funcionários do gabinete devolviam parte dos salários ou o valor integral para o vereador, prática chamada de rachadinha. Do total, quatro servidores ouvidos pela Época em setembro de 2021 admitiram que não trabalhavam no gabinete de Carlos na Câmara do Rio, mesmo estando nomeados e com os salários em dia.

Marta Valle, um dos principais alvos da investigação, passou sete anos e quatro meses lotada no gabinete, entre novembro de 2001 e março de 2009. Procurada pela Época, na ocasião disse que nunca trabalhou para Carlos. 

O salário bruto de Marta era de R$ 9,6 mil e, com os auxílios, chegava a R$ 17 mil. A câmara de vereadores do Rio informou que ela não requisitou crachá de assessora, e o laudo do Laboratório apontou que ela sacou R$ 364 mil, entre junho de 2005 e março de 2009, sempre logo após receber.

Além da investigação criminal aberta no MP-RJ, Carlos também é alvo de procedimento para apurar eventual improbidade administrativa pelos mesmos motivos na vara cível. O processo corre na 8ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital.

O que MONEY REPORT publicou

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