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Kassab aposta em alternativa ao Fla-Flu político

Lorena Scavone Giron
11 de fevereiro de 2026
Presidente do PSD defende candidatura de centro, reformas institucionais e agenda fiscal mais rigorosa em debate sobre o cenário eleitoral

A polarização entre lulismo e bolsonarismo volta ao centro do debate político para 2026, mas, para Gilberto Kassab (PSD), existe espaço para uma alternativa competitiva fora do eixo. O presidente nacional do PSD e secretário de Relações Institucionais de São Paulo defendeu a construção de uma candidatura de centro-direita durante painel sobre cenário político moderado pela jornalista Júnia Gama, na CEO Conference 2026 do BTG Pactual.

Segundo ele, pesquisas indicam que muitos eleitores demonstram insatisfação com os polos dominantes e buscam uma opção que ofereça crescimento econômico, segurança institucional e estabilidade política. Por ter um cunho basicamente político, o que Kassab deixa de dizer pode ser tão importante quando o que declara, pois as alianças e apoios com qualquer seção do Centrão poderão definir os rumos da governabilidade do próximo mandado, seja quem for o vencedor.

Polarização e espaço alternativo

Kassab avaliou que a disputa tende a continuar marcada pelo confronto entre os campos políticos tradicionais, embora veja margem para mudança.

“Existe polarização, mas há um grande universo de brasileiros que deseja uma alternativa. Muitos acabam votando em um dos lados por falta de opção.”

Ele afirmou que tanto governos petistas quanto bolsonaristas deixaram lacunas importantes, sobretudo em combate à corrupção, transparência e eficiência administrativa.

PSD zero

O dirigente foi categórico ao afirmar que o partido lançará candidatura presidencial: “A chance de o PSD não ter candidato é zero.”

Entre os citados estão os governadores Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, cuja escolha deve considerar pesquisas, potencial eleitoral e articulações políticas até meados de abril.

Kassab disse perceber crescente confiança entre eleitores que buscam uma alternativa ao embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Reformas na agenda

Entre as propostas defendidas pelo dirigente estão mudanças no sistema político e no Judiciário, incluindo:

  • Mandato para ministros de tribunais superiores;
  • Idade mínima para indicação;
  • Quarentena para magistrados, policiais e membros do Ministério Público disputarem eleições;
  • Discussão sobre voto distrital para aproximar eleitores e representantes.

Para Kassab, essas medidas ajudariam a fortalecer a legitimidade institucional e a confiança política.

Economia, segurança e corrupção na campanha

O presidente do PSD indicou três temas que devem dominar o debate eleitoral:

  • Combate à corrupção, impulsionado por escândalos recentes;
  • Segurança pública, vista como preocupação crescente da população;
  • Equilíbrio fiscal e reforma administrativa para reduzir gastos e melhorar a eficiência do Estado.

“Não dá para financiar políticas públicas só aumentando imposto. Ajuste administrativo e eficiência precisam entrar na agenda.”

Congresso sob críticas

Kassab também fez críticas ao desempenho do Legislativo, afirmando que o Congresso precisa apresentar respostas mais claras às demandas sociais e institucionais.

Ele estabeleceu como objetivo eleger cerca de 100 deputados federais pelo PSD, reforçando a ambição do partido de ampliar influência nacional.

Fator de estabilidade

Apesar das críticas frequentes ao chamado “centrão”, Kassab defendeu o papel do centro político na estabilidade democrática. Na avaliação dele, essa força ajudou a evitar movimentos mais extremos ao longo das últimas décadas e pode voltar a cumprir papel semelhante no próximo ciclo político.

Além da polarização

Kassab encerrou o debate reforçando a ideia de que a eleição de 2026 pode abrir espaço para um novo arranjo político. Segundo ele, o país reúne condições econômicas para crescer, desde que haja segurança jurídica, confiança institucional e liderança política capaz de articular reformas estruturais.

No pano de fundo dessa disputa, alianças e apoios vindos de diferentes segmentos do centrão tendem a influenciar diretamente os rumos do próximo governo, seja qual for o vencedor.

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