Braço direito econômico de Trump defende tarifas para atrair indústrias de volta, afasta temores de desemprego por IA e sinaliza apoio às políticas de mercado na América Latina
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que a economia estadunidense está posicionada para um crescimento nominal superior a 6% em 2026. Nesta terça-feira (10) ele participou de um fireside chat mediado por André Esteves, durante a CEO Conference do BTG Pactual. O homem de confiança de Donald Trump detalhou a estratégia “3-3-3” (3% de crescimento real, 3% de déficit e 3 milhões de barris de petróleo extras/dia) e enviou mensagens de otimismo sobre a relação com o Brasil.
Boom da IA
Bessent comparou o momento atual ao entusiasmo dos anos 1990, prevendo ganhos “espetaculares” (termo recorrente de Trump) de produtividade impulsionados pela inteligência artificial.
- Empregos: Minimizou o risco de desemprego em massa, sugerindo que haverá uma realocação interna de funções. Citou como exemplo bancos que movem pessoal de cobrança para áreas de viagens e serviços conforme a IA assume tarefas.
- Inflação: A IA funcionaria como uma força desinflacionária, permitindo que a economia “rode quente” sem disparo de preços.
FEd e a escolha de Kevin Warsh
O secretário comentou a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), destacando suas credenciais tanto como analista macro quanto como investidor em tecnologia. “O presidente buscou alguém de mente aberta e que entenda de inovação”, afirmou Bessent, chamando Warsh de o nome mais preparado para o cargo.
Tarifas para reindustrialização
Bessent defendeu a política de tarifas de Trump, explicando que o objetivo final é o “rebalancing” (reequilíbrio) da economia americana através do reshoring (trazer fábricas de volta aos EUA).
“A receita das tarifas pode diminuir à medida que as empresas voltam para os EUA, mas a receita vinda dos novos empregos e fábricas vai aumentar. Esse é o sucesso da política.”
Aceno ao Brasil
Em um momento de especial interesse para a plateia brasileira, Bessent destacou que o lema “America First” não significa america alone.
- Brasil: Mencionou o histórico de boa relação de Lula com presidentes republicanos e antecipou a visita de delegações brasileiras a Trump.
- Investimentos: Apontou o Brasil como destino ideal para Giga Data Centers, devido à abundância de energia limpa e rede de transmissão robusta.
- Argentina: Citou o otimismo com as reformas de mercado no país vizinho como um modelo que os EUA desejam apoiar na região.
Geopolítica e China
Bessent classificou a relação com a China como “confortável”, focada em “derisking” (redução de riscos) em setores estratégicos como semicondutores e minerais críticos, sem necessariamente buscar um rompimento total (decoupling). Ele alertou, contudo, que o excedente comercial de US$ 1 trilhão da China é insustentável para o mundo.
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