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Bessent explica a estratégia do Tesouro dos EUA aos brasileiros

Lorena Scavone Giron
10 de fevereiro de 2026
Braço direito econômico de Trump defende tarifas para atrair indústrias de volta, afasta temores de desemprego por IA e sinaliza apoio às políticas de mercado na América Latina

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que a economia estadunidense está posicionada para um crescimento nominal superior a 6% em 2026. Nesta terça-feira (10) ele participou de um fireside chat mediado por André Esteves, durante a CEO Conference do BTG Pactual. O homem de confiança de Donald Trump detalhou a estratégia “3-3-3” (3% de crescimento real, 3% de déficit e 3 milhões de barris de petróleo extras/dia) e enviou mensagens de otimismo sobre a relação com o Brasil.

Boom da IA

Bessent comparou o momento atual ao entusiasmo dos anos 1990, prevendo ganhos “espetaculares” (termo recorrente de Trump) de produtividade impulsionados pela inteligência artificial.

  • Empregos: Minimizou o risco de desemprego em massa, sugerindo que haverá uma realocação interna de funções. Citou como exemplo bancos que movem pessoal de cobrança para áreas de viagens e serviços conforme a IA assume tarefas.
  • Inflação: A IA funcionaria como uma força desinflacionária, permitindo que a economia “rode quente” sem disparo de preços.

FEd e a escolha de Kevin Warsh

O secretário comentou a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), destacando suas credenciais tanto como analista macro quanto como investidor em tecnologia. “O presidente buscou alguém de mente aberta e que entenda de inovação”, afirmou Bessent, chamando Warsh de o nome mais preparado para o cargo.

Tarifas para reindustrialização

Bessent defendeu a política de tarifas de Trump, explicando que o objetivo final é o “rebalancing” (reequilíbrio) da economia americana através do reshoring (trazer fábricas de volta aos EUA).

“A receita das tarifas pode diminuir à medida que as empresas voltam para os EUA, mas a receita vinda dos novos empregos e fábricas vai aumentar. Esse é o sucesso da política.”

Aceno ao Brasil

Em um momento de especial interesse para a plateia brasileira, Bessent destacou que o lema “America First” não significa america alone.

  • Brasil: Mencionou o histórico de boa relação de Lula com presidentes republicanos e antecipou a visita de delegações brasileiras a Trump.
  • Investimentos: Apontou o Brasil como destino ideal para Giga Data Centers, devido à abundância de energia limpa e rede de transmissão robusta.
  • Argentina: Citou o otimismo com as reformas de mercado no país vizinho como um modelo que os EUA desejam apoiar na região.

Geopolítica e China

Bessent classificou a relação com a China como “confortável”, focada em “derisking” (redução de riscos) em setores estratégicos como semicondutores e minerais críticos, sem necessariamente buscar um rompimento total (decoupling). Ele alertou, contudo, que o excedente comercial de US$ 1 trilhão da China é insustentável para o mundo.


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