PATROCINADORES

O jogo da energia muda de escala

Da redação
11 de fevereiro de 2026
Em painel da CEO Conference do BTG Pactual, o ministro Alexandre Silveira defende agenda de leilões, equilíbrio na transição energética e aposta em minerais críticos como nova fronteira econômica

A agenda energética brasileira entrou definitivamente no centro da estratégia econômica do país. Durante painel na CEO Conference do BTG Pactual, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu que o setor deve ser um dos principais motores de crescimento nos próximos anos — mas alertou que o equilíbrio entre transição energética, competitividade e segurança de abastecimento será decisivo.

Moderado por Luiz Barroso, CEO da consultoria PSR, o debate percorreu desde os leilões previstos para 2026 até geopolítica da energia, mineração estratégica e o papel do Brasil na nova economia da eletrificação.

Leilões e segurança energética dominam a agenda

Silveira destacou que o primeiro semestre será marcado por grandes licitações no setor, com foco em garantir estabilidade ao sistema elétrico e atrair investimentos. Entre elas, o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) e o primeiro leilão de baterias do país.

Segundo o ministro, a expansão das fontes renováveis exige soluções de estabilidade:

“O Brasil avançou muito nas energias intermitentes, como solar e eólica. Agora precisamos de segurança energética e as baterias serão fundamentais para estabilizar o sistema.”

Ele afirmou ainda que o governo busca incorporar tecnologia e conteúdo local, inclusive com parcerias internacionais:

“Não podemos ser apenas receptores de tecnologia. Queremos absorver ciência, desenvolver produção nacional e criar inteligência na cadeia de baterias.”

Custo e atração

Silveira reforçou que a política energética segue baseada em três pilares: tarifas competitivas, segurança no abastecimento e retorno adequado ao investidor.

“Nós não abrimos mão do tripé: modicidade tarifária, segurança energética e remuneração justa. O capital é volátil — se não houver equilíbrio, ele simplesmente vai para outro país.”

Para ele, o Brasil possui vantagens estruturais importantes, como matriz diversificada e estabilidade regulatória, mas ainda enfrenta desafios burocráticos e custos elevados.

Ajuste técnico

A divulgação recente dos preços-teto do leilão de reserva de capacidade gerou forte reação do mercado. O ministro afirmou que a equipe técnica já revisa os parâmetros.

“Ficamos até a madrugada analisando. O preço-teto não é o preço final da contratação. Vamos corrigir o que for necessário para garantir competitividade e qualidade dos projetos.”

Ele ressaltou que preços excessivamente baixos podem comprometer a execução das obras e, no fim, prejudicar o consumidor.

Curtailment e renováveis

Outro tema sensível foi o curtailment — cortes na geração renovável por limitações do sistema. O ministério trabalha em uma regulamentação para diferenciar riscos de mercado e falhas estruturais.

Silveira explicou a posição do governo:

“Se o problema for elétrico ou de transmissão, o investidor deve ser ressarcido. Mas falta de demanda é risco do próprio investimento.”

A expectativa é concluir a regulamentação ainda no primeiro semestre.

Sem “ônus ideológico”

Sobre combustíveis fósseis, o ministro adotou discurso pragmático. Embora defenda a liderança brasileira na transição energética, ele rejeita decisões que aumentem custos internos.

“Somos líderes em energia limpa, mas não podemos onerar a economia por questões ideológicas. O Brasil é também um país petrolífero.”

Silveira destacou a importância do petróleo para financiamento da transição e para a competitividade econômica, além da necessidade de equilíbrio ambiental para preservar mercados como o agronegócio.

O “novo petróleo”

Um dos pontos mais enfatizados foi a estratégia para minerais estratégicos, fundamentais na eletrificação global.

“Esses minerais vão se tornar o novo petróleo do mundo. O Brasil precisa agregar valor aqui dentro e não apenas exportar matéria-prima.”

O governo criou um conselho interministerial para estruturar políticas e destravar investimentos, especialmente em lítio, urânio e terras raras.

Vetor geopolítico

Silveira também destacou a crescente disputa global por fontes energéticas e tecnologia, afirmando que a eletrificação e os minerais críticos reposicionam o Brasil no mapa geopolítico.

Para ele, a pluralidade energética brasileira — biocombustíveis, petróleo, renováveis e minerais — é uma vantagem estratégica que deve ser explorada com equilíbrio.

Balanço e desafios

Ao fazer um balanço da própria atuação, o ministro citou avanços regulatórios, a liberalização do mercado de energia e políticas como a Lei do Combustível do Futuro. Mas reconheceu frustrações, como a dificuldade de avançar na exploração de gás não convencional.

“O Brasil é um dos maiores importadores de gás e ainda não consegue explorar plenamente suas próprias reservas. Isso impacta diretamente o custo da indústria.”

Ele afirmou ainda que permanece no cargo sem apego político, focado na agenda do setor e na continuidade das políticas públicas.

Energia no centro

A percepção geral do painel é que energia deixou de ser apenas infraestrutura para se tornar eixo estratégico da economia, da política industrial e da inserção internacional do país.

Com demanda global crescente, transição energética em curso e disputa por recursos minerais, o Brasil aparece — nas palavras do ministro — diante de uma oportunidade histórica: transformar suas vantagens naturais em desenvolvimento econômico sustentável.

O que MR publicou

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve