Veterano do Distrito Sul de Nova York, Alvin Hellerstein preside processo contra o líder venezuelano enquanto criminalistas renomados disputam para assumir a defesa
O processo judicial contra o agora ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro nos Estados Unidos será conduzido por um dos magistrados mais experientes do país. A ação foi distribuída ao juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, integrante do Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York, foro responsável por alguns dos casos mais sensíveis da Justiça americana.
A primeira audiência ocorre nesta segunda-feira (5), em Manhattan, e formaliza as acusações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos contra Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Nesta fase inicial, os réus serão informados das denúncias e convidados a se declarar culpados ou inocentes. Não há debate sobre o mérito do caso nesse momento.
A promotoria, conduzida pelo Escritório do Procurador Federal do Distrito Sul de Nova York, sustenta que Maduro liderou um esquema de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína aos EUA, além de envolvimento com organizações criminosas transnacionais e grupos classificados como terroristas por Washington. As acusações também incluem posse e conspiração para uso de armamentos pesados.
Do lado da defesa, o presidente deposto contratou o advogado criminalista Barry Pollack para atuar em sua defesa no processo que tramita na Justiça dos Estados Unidos.
Pollack, que representou por anos o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, apresentou na segunda-feira uma notificação formal de comparecimento como advogado de Maduro no caso que corre no Tribunal do Distrito Sul de Nova York
De acordo com o analista jurídico Elie Honig, o processo reúne elementos raros: enorme repercussão política, potencial para honorários elevados e a possibilidade de apresentação de argumentos inéditos de direito constitucional e internacional, incluindo questionamentos sobre soberania, imunidade de chefe de Estado e legalidade da captura. “Realmente vimos muito pouco parecido com isso”, avaliou.
Trajetória do juiz
Nomeado em 1998 pelo então presidente Bill Clinton, Hellerstein construiu sua carreira no Distrito Sul de Nova York após atuar no Corpo Jurídico do Exército dos Estados Unidos e décadas na advocacia privada. Em 2011, assumiu o status de juiz sênior, reduzindo a carga de trabalho, mas permanecendo à frente de casos de alta complexidade.
Hellerstein ganhou projeção nacional ao supervisionar ações movidas por vítimas e familiares dos atentados de 11 de Setembro de 2001, incluindo disputas bilionárias de indenização e processos ligados à segurança nacional. Também atuou em casos de grande repercussão política e criminal, como ações envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein e o julgamento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente Donald Trump.
O magistrado também preside o processo contra Hugo Armando Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana, acusado de narcotráfico e cooperação com organizações terroristas. Segundo documentos judiciais, Carvajal firmou acordo de colaboração com as autoridades americanas e seu depoimento é considerado peça-chave no caso contra Maduro.
A escolha de Hellerstein coloca o juiz no centro de um julgamento de forte impacto político e diplomático. Ao longo dos últimos anos, ele assinou decisões que tanto contrariaram quanto respaldaram políticas do governo Trump, incluindo sentenças que bloquearam deportações sumárias e outras que reforçaram a aplicação rigorosa da lei federal.
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