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Obras de Tarsila transformadas em NFTs viram briga

Da redação
31 de janeiro de 2024
Ilustrações do litoral brasileiro são alvo de ação judicial que busca reconhecimento de autoria

Uma coleção de desenhos associados à célebre pintora brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) foi lançada como NFT – uma forma de arte digital com garantia de autenticidade. No entanto, as obras, propriedade do tradutor Alípio Neto, encontram-se no meio de uma batalha judicial para confirmar sua legitimidade.

A sobrinha-neta e herdeira da artista conhecida como Tarsilinha não reconhece a autenticidade das obras. No entanto, outros dois herdeiros aprovaram a produção das NFTs. Esse endosso indireto confirma, de alguma forma, a autenticidade dos desenhos.

Esta controvérsia adiciona mais um capítulo à história envolvendo Tarsila do Amaral. Alípio Neto busca o reconhecimento da autoria dos desenhos para inclusão no catálogo oficial das obras da artista, cuja última edição é de 2008. No entanto, além do impasse com Tarsilinha, a comissão de especialistas em obras da artista não chegou a um consenso sobre a autenticidade do material.

NFTs de Tarsila

Os desenhos em questão, da década de 1920, retratam paisagens do litoral brasileiro. A Zeitls, empresa sueca, digitalizou essas obras, oferecendo-as por 0,3 ETH cada (aproximadamente R$ 3,3 mil). Paola Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila e detentora dos direitos autorais da artista, está envolvida no projeto.

Paulo Montenegro, um dos herdeiros de Tarsila, manifestou incerteza sobre a autenticidade dos desenhos, mesmo após negar ser um especialista. No entanto, ele e outro herdeiro assinaram um documento referente à produção dos NFTs, apresentando os desenhos como originais de Tarsila.

Mario Solimene Filho, advogado de Alípio Neto, argumenta que os NFTs e a autorização da família de Tarsila constituem evidências significativas da autenticidade das obras. Daniela Zschaber, da Zeitls, afirma que a empresa está confiante na originalidade das obras, visando promover a arte brasileira no exterior. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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