O resultado é uma inadimplência consistentemente abaixo da média do setor
O Itaú Unibanco manteve lucro estável de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, em linha com o desempenho recorde dos últimos anos. Apesar do cenário macroeconômico mais desafiador, o CEO do banco, Milton Maluhy Filho, reforçou que a rentabilidade segue nas máximas e que o banco não pretende reduzir o apetite por crescimento.
Segundo a Bloomberg, Maluhy apontou que a chave da estratégia está nos chamados “clientes-alvo”, considerados mais resilientes em diferentes ciclos econômicos. Mais de 80% da carteira de crédito do banco está concentrada nesse perfil, e nas novas concessões o índice chega a quase 100%. O resultado é uma inadimplência consistentemente abaixo da média do setor, com destaque para crédito pessoal, cartão e veículos.
O executivo destacou que o foco não se limita apenas à alta renda, mas a clientes avaliados por modelos que simulam cenários de estresse. “Quando olhamos o resultado num ciclo mais longo, claramente foi uma estratégia vencedora”, afirmou. Ele acrescentou que o banco aposta em inteligência artificial generativa para hiperpersonalizar limites e melhorar ainda mais a performance.
No agro, o Itaú mantém posição confortável: detém 20% de participação de mercado, mas apenas 4% das recuperações judiciais do setor, graças à alienação fiduciária em 78% da carteira de produtores rurais. A instituição também evitou regiões mais voláteis por questões climáticas.
A carteira total alcançou R$ 1,483 trilhão, com crescimento de 9% em 12 meses. Entre os destaques, o consignado privado avançou 63% e os programas governamentais para PMEs cresceram 52%. Para 2026, o banco manteve projeções de expansão da carteira entre 5,5% e 9,5%, e custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
