Gigante do e-commerce avança no setor farmacêutico ao testar entregas de remédios na capital paulista, contornando barreiras regulatórias da Anvisa
O Mercado Livre deu um passo ousado rumo ao mercado de farmácias ao lançar um piloto de venda de medicamentos em São Paulo. A iniciativa utiliza uma estrutura física já adquirida pela empresa para cumprir exigências regulatórias, permitindo o comércio online de remédios sem prescrição, como analgésicos e antigripais.
A operação marca a evolução de negociações iniciadas em 2025, quando o Mercado Livre comprou a farmácia Target, no Jabaquara, zona sul da capital paulista, da startup Memed. Essa aquisição, feita via subsidiária K2I Intermediação (ligada à Kangu), teve como objetivo testar a logística e a validação de receitas digitais, com entregas rápidas a partir de um ponto licenciado.
Regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) limitam a venda online de medicamentos, exigindo envio de drogarias autorizadas e presença de farmacêuticos. O modelo do Mercado Livre integra validação prévia de receituários, automatizando o processo e superando entraves como a necessidade de receita física na entrega.
O setor farmacêutico, que movimenta mais de R$ 200 bilhões anuais no Brasil, segundo dados da IQVIA, é altamente fragmentado e atrai gigantes do varejo digital. Analistas veem o piloto como ambição estratégica, embora o impacto inicial seja limitado a uma unidade física.
Caso o teste em São Paulo comprove viabilidade, o Mercado Livre planeja expandir para outras regiões, adquirindo mais farmácias e potencializando sua logística robusta. A companhia já opera vendas de medicamentos no México desde 2023, onde regras são menos restritivas.
A entrada da companhia no setor também reforça a diversificação do e-commerce, desafiando redes tradicionais como RD Saúde e Pague Menos em eficiência e preços competitivos.
