Companhia cita juros altos, endividamento elevado das famílias e dívida que não conseguiu reestruturar como motivos para buscar proteção na Justiça
O Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça‑feira (12), informando que enfrenta um cenário macroeconômico desafiador para o varejo de móveis e decoração, com juros ainda elevados e maior endividamento das famílias. Em fato relevante enviado à CVM, o grupo afirma que, apesar de sucessivas tentativas de renegociar dívidas, o nível de alavancagem persiste e vem se agravando, o que compromete a liquidez da companhia.
Entre os principais motivos apontados estão o alto endividamento herdado de etapas anteriores de reestruturação e a dificuldade de manter fluxos de caixa suficientes em meio a um consumo mais fraco no segmento de móveis. A administração ressalta que a recuperação judicial é vista como medida urgente para preservar atividades, proteger empregos e viabilizar uma reestruturação ordenada de obrigações junto a bancos, fornecedores e outros credores.
A empresa destaca que o pedido, autorizado pelo conselho de administração, busca “resguardar a companhia e suas controladas, viabilizar a continuidade de suas operações e criar condições para negociação de um plano que equilibre interesses de credores, acionistas e clientes”. O processo foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível em São Paulo, sob segredo de justiça, e ainda está em fase de análise pela Justiça.
A trajetória recente da Tok&Stok já havia passado por recuperação extrajudicial em 2024, quando a empresa estruturou uma dívida de cerca de R$ 640 milhões, sinalizando precocemente a fragilidade financeira do grupo. A nova rodada de dificuldades, agora envolvendo o conglomerado formado pela união com a Mobly, reforça os desafios de sustentar expansão e margens em um setor sensível a renda, juros e confiança do consumidor.
