Holding Porsche SE cobra revisão do modelo de negócios da montadora alemã, enquanto grupo amplia apostas em inteligência artificial e defesa
A família Porsche-Piëch, principal acionista da Volkswagen, voltou a pressionar a montadora alemã por uma reformulação de sua estratégia diante da queda nos resultados financeiros e do aumento das dificuldades no setor automotivo global. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo com base em reportagem da Reuters.
A cobrança ocorreu após a Porsche SE, holding que controla a participação da família no grupo, registrar queda de 21% no lucro ajustado do primeiro trimestre, para 382 milhões de euros (cerca de R$ 2,2 bilhões).
Além disso, a holding reportou prejuízo de 923 milhões de euros no período, impactada por uma baixa contábil de 1,3 bilhão de euros ligada à sua participação na Volkswagen. A deterioração dos resultados ocorre em meio à desaceleração do mercado automotivo europeu, à concorrência crescente das montadoras chinesas e às dificuldades da transição para veículos elétricos.
Em comunicado, o presidente do conselho da Porsche SE, Hans Dieter Poetsch, afirmou que os modelos de negócios que sustentaram os investimentos do grupo “precisam ser realinhados”. A holding detém 31,9% das ações da Volkswagen e mais de 53% dos direitos de voto da companhia.
Ao mesmo tempo, a Porsche SE vem ampliando investimentos fora do setor automotivo tradicional. Segundo a reportagem, o grupo aposta em áreas como inteligência artificial e defesa, em busca de diversificação diante da pressão sobre as montadoras europeias. Uma das operações recentes envolveu a venda de participação na startup de semicondutores Celestial AI, que gerou receita de 60 milhões de euros no trimestre.
A Volkswagen já anunciou um amplo programa de corte de custos, incluindo a redução de 50 mil empregos até 2030. O CEO da companhia, Oliver Blume, também prometeu aprofundar as medidas de eficiência, em meio à pressão sobre fábricas na Alemanha e à queda da rentabilidade do grupo.
