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Exame: Vamos tem 17º trimestre consecutivo de crescimento

Da redação
27 de abril de 2023
Ao fim dos primeiros três meses de 2023, companhia afirma que investimento em capex deve crescer 30% sobre 2022

O faturamento da Vamos chegou ao 17º trimestre consecutivo de crescimento. A companhia fechou os primeiros três meses de 2023 com receita líquida consolidada de R$ 1,7 bilhão, cifra 78% maior do que a registrada no mesmo período do ano anterior. O montante reflete a estratégia de ser uma oferta para quem precisa de um caminhão ou máquina agrícola: comprar, trocar ou alugar. Inclusive, nos três meses encerrados em março, a divisão de locação de veículos superou, pela primeira vez, a receita de concessionárias. No detalhe, a receita líquida de locação foi de R$ 805,5 milhões, mais do que o dobro da registrada em 2022, e a de concessionárias foi de R$ 794 milhões, alta de 37,5%.

A construção de uma estratégia completa para atender às empresas se soma ao alto investimento em capex conduzido pela companhia. Em 2022, a companhia investiu R$ 5 bilhões principalmente em novos caminhões, um montante que deu a ela capacidade de fechar novos contratos — cuja receita começou a vir somente em janeiro de 2023. “Crescemos entre 70% e 90% a receita da companhia nos primeiros três meses do ano ao longo dos últimos três a quatro anos”, afirmou Gustavo Couto, CEO da Vamos.

Ao mesmo tempo que cresce, a companhia preserva rentabilidade. A margem ebitda caiu, ao longo dos últimos quatro anos (sempre comparando o primeiro trimestre), passando de 44% para 38,5%. No período de janeiro a março de 2019, não custa lembrar, a receita líquida da companhia era de R$ 273,8 milhões, cifra que cresceu mais de seis vezes desde então. O ebitda do primeiro trimestre daquela época foi de R$ 120,4 milhões. Agora, no primeiro trimestre de 2023, o indicador ficou em R$ 659,2 milhões, aumento de 82,3% em relação ao mesmo período do ano passado — e a margem se manteve relativamente estável, na casa dos 38%.

“Temos um modelo de negócio único, com uma oportunidade de crescimento no país sem igual. Isso se soma à maturidade que os negócios têm atingido. E, com mais escala, conseguimos girar mais rápido o estoque e melhorar yields, o que resulta em um balanço cada vez mais robusto”, disse Couto.

O ritmo de crescimento deve continuar nos patamares vistos até agora, na visão do executivo. De acordo com os dados divulgados no primeiro trimestre, o estoque de ativos novos somou R$ 3 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões em caminhões (e máquinas agrícolas) disponíveis para locação. Hoje, o valor de mercado dos ativos está 47,7% maior do que o do momento da aquisição.

Com um estoque deste tamanho, a companhia vê espaço para crescer ao longo do primeiro semestre deste ano sem a necessidade de realizar novos investimentos. Não que a companhia esteja planejando um ano mais tímido. A meta, ao menos até o momento, é de aumentar os investimentos em 30% sobre o realizado no ano anterior (os R$ 5 bilhões).

“Tenho estoque para continuar crescendo sem comprar mais caminhão pelos próximos três meses. Mas, daqui a 90 dias, mais ou menos, vamos avaliar esse compromisso com o nosso conselho. É claro que tudo está sujeito às condições que vamos encontrar daqui até lá, mas acredito que temos muito espaço para aumentarmos de tamanho”, disse Couto.

Nesta quarta-feira, inclusive, a companhia realizou mais um investimento em crescimento inorgânico. A compra de 100% da DHL Tratores, por meio da divisão de máquinas agrícolas, consolidando a companhia como a maior rede de concessionárias Valtra da América do Sul. O investimento foi, ao todo, de R$ 93,1 milhões.

A confiança no potencial a ser explorado no país tem razão de ser. O modelo de negócio de locação, hoje, economiza em 30% os custos de uma empresa em relação a comprar o caminhão, de acordo com a companhia. Em momento de preservação de caixa de empresas em todo o país, esse já é um ponto atrativo.

O outro tem a ver com a idade da frota no Brasil. No país, o recorde de venda de caminhões aconteceu em 2011, em que foram emplacados 170 mil veículos. Hoje, o Brasil tem uma frota superior a 3,5 milhões, com uma idade média de 21 anos. “Se a velocidade de compra de caminhões fosse igual à de 2011, demoraria 20 anos pra renovar a frota toda”, disse Couto.

De olho em aproveitar esse potencial de crescimento, a companhia tornou a estrutura de capital mais robusta neste primeiro trimestre. A Vamos fez uma captação de R$ 2 bilhões, sendo R$ 1,3 bilhão em contratos bilaterais com bancos e emissão de CRA, e os R$ 700 milhões restantes em uma operação de venda de recebíveis non-recourse.  Hoje, a relação entre dívida líquida e ebitda da companhia está em 3,23 vezes.

“Nossa geração de caixa é muito forte. A alavancagem que temos hoje é fruto de crescimento acelerado, em que antecipei formação de estoque que ainda não está receitando. À medida que ele começa a ser alugado, a companhia gera receita e aumenta ebitda sem precisar colocar capex novo no primeiro semestre”, disse Couto.

Em um ano tão duro para o empresariado brasileiro, a Vamos não vê a crise chegar. Crescer com economia pujante é melhor, na visão do CEO, mas não se trata de um fator essencial para a companhia continuar aumentando de tamanho de forma rentável, como a empresa mostrou ao longo dos últimos anos. A meta é continuar sendo a exceção.

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Por Karina Souza

Publicado originalmente em: shre.ink/Q6N8

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