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Exame: Com R$ 6,5 bi em vendas, Nuvemshop aposta em novo público

Da redação
23 de março de 2026
Uma das principais fornecedoras de serviços para o comércio eletrônico no Brasil passa a focar negócios de médio porte e amplia uso de tecnologia nas lojas

e-commerce brasileiro cresce, mas a operação ainda trava em pontos básicos. Entrega, pagamento e atendimento concentram a maior parte das reclamações dos consumidores — e pressionam empresas que já vendem em volume.

É nesse cenário que a Nuvemshop, plataforma criada na Argentina e com o Brasil como principal mercado, reposiciona sua estratégia.

Em 2025, os lojistas da base movimentaram R$ 6,5 bilhões no país, alta de 35% em um ano.

A empresa agora mira um novo público: negócios de médio porte que já tratam o canal online como parte central da operação e buscam mais controle sobre dados, vendas e relacionamento com clientes.

“Temos que garantir que, no momento em que essas empresas decidirem reavaliar sua plataforma, a Nuvemshop seja a escolha natural”, afirma Alejandro Vázquez, cofundador da companhia.

A mudança vem acompanhada de uma aposta mais direta em inteligência artificial e em ferramentas que concentram toda a operação em um único sistema.

Da vitrine digital ao sistema completo

Nuvemshop começou em 2011 como uma ferramenta para criar lojas virtuais. Antes disso, os fundadores tentaram montar um marketplace ligado a redes sociais.

A ideia não avançou, mas mostrou um problema: pequenos lojistas dependiam de desenvolvedores para vender online.

A solução foi criar uma plataforma simples, em modelo SaaS, software como serviço, que desse autonomia para montar e operar uma loja.

Com o crescimento do e-commerce — que saiu de menos de 1% do varejo em 2008 para cerca de 15% hoje — a empresa ampliou o escopo. Passou a incluir logística, pagamentos e atendimento.

Hoje, reúne mais de 180 mil marcas e atende desde pequenos empreendedores até empresas que processam mais de 100 mil pedidos por mês.

Segundo Vázquez, essa expansão veio de um diagnóstico direto sobre o comportamento do consumidor.

“A gente identificou que 80% das reclamações não estavam na marca, mas em problemas estruturais como logística, pagamento e atendimento”, afirma.

Logística, pagamento e atendimento no centro

A resposta foi criar um conjunto de produtos próprios.

Na logística, o Nuvem Envio conecta mais de 30 transportadoras e usa software para definir a melhor rota de entrega. A operação inclui coleta diária e centros de distribuição.

Nos pagamentos, o Nuvem Pago já processa mais de 60% do volume transacionado no Brasil. O destaque é a carteira digital que permite compras com um clique em qualquer loja da plataforma.

No atendimento, a empresa investiu em inteligência artificial integrada ao WhatsApp. O cliente conversa com a marca, tira dúvidas e pode concluir a compra sem sair do aplicativo.

“Hoje, 70% das vendas no Brasil têm alguma interação antes. Se a empresa não consegue responder rápido, perde a venda”, diz Vázquez.

IA muda a forma de vender

A inteligência artificial aparece como peça central no novo ciclo.

Hoje, 72% dos lojistas da base já usam IA em tarefas como descrição de produtos, imagens e atendimento, segundo o estudo NuvemCommerce 2026.

A próxima etapa é usar IA para conduzir a venda.

“O consumidor não vai mais navegar em site filtrando produto. Ele vai pedir o que quer e um agente de IA vai resolver”, afirma Vázquez.

Esse modelo, conhecido como comércio conversacional, ganha espaço no Brasil com o uso do WhatsApp como canal de venda.

A empresa também permite que catálogos sejam lidos por sistemas como ChatGPT e Gemini, o que influencia a forma como produtos aparecem nas buscas feitas por IA.

Pix muda o fluxo de caixa

O estudo mostra uma mudança clara nos pagamentos.

Pix passou a representar 49% das vendas, superando o cartão de crédito, com 45%.

O impacto é direto no caixa. O dinheiro entra na hora, sem prazo de compensação.

Ao mesmo tempo, o boleto caiu para menos de 1% das transações.

Menos volume, mais eficiência

Os dados indicam uma mudança no comportamento dos lojistas.

Em 2025, 28% não participaram de datas promocionais. A decisão está ligada ao aumento do custo de anúncios.

Em vez de tentar vender em todas as datas, as empresas passaram a escolher momentos com menor concorrência.

Black Friday, por exemplo, deixou de ser um evento de um dia e passou a se estender por semanas.

Diferença entre quem começa e quem cresce

O estudo mostra dois perfis distintos.

Empresas menores enfrentam dificuldade para gerar tráfego e atrair clientes.

Já empresas em crescimento lidam com operação.

“Quando a empresa cresce, o problema deixa de ser vender e passa a ser executar”, afirma Vázquez.

Entre os principais pontos estão abandono de carrinho, custo de marketing e gestão do dia a dia.

Mid-market entra no foco

É esse grupo que a Nuvemshop busca com a estratégia atual.

A solução Nuvemshop Next, lançada em 2022, atende empresas com maior volume de pedidos e necessidade de integração.

A base inclui marcas de moda, beleza, alimentos e produtos pet, que dependem de recorrência de compra e relacionamento direto com o cliente.

“A diversificação mostra que o canal online deixou de ser complementar e passou a ser parte central do negócio”, afirma Vázquez.

Venda direta ganha espaço

Outro movimento é a migração para venda direta ao consumidor.

Hoje, 69% das empresas de maior faturamento priorizam a loja própria.

Marketplaces seguem relevantes, mas como canal de apoio.

A lógica é manter controle sobre margem e dados.

Quem está vendendo online

O perfil dos lojistas ajuda a explicar o crescimento do setor.

Segundo o estudo:

  • 62% são mulheres
  • 58% têm o e-commerce como principal fonte de renda
  • 46% têm entre 18 e 34 anos

Além disso, 62% operam sozinhos.

Ao mesmo tempo, há aumento no uso de tecnologia para automatizar tarefas e reduzir dependência de equipe.

Brasil no centro da estratégia

Apesar de ter nascido na Argentina, a Nuvemshop concentra hoje a maior parte da operação no Brasil. Mais de 1.000 dos 1.500 funcionários estão no país.

A empresa também atua em México, Colômbia e Chile.

A meta é ampliar participação no mercado brasileiro, hoje em cerca de 2%, e chegar a 5% nos próximos anos.

“O Brasil ainda tem muito espaço para crescer. Quando a gente compara com outros países, o e-commerce ainda tem participação menor no varejo”, afirma Vázquez.

A estratégia combina expansão de produtos, uso de inteligência artificial e foco em empresas que já operam em escala.


Por Leo Branco

Publicação original

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