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Varejo sobe acima do esperado, mas juros e dívida das famílias elevam cautela

Da redação
13 de maio de 2026
Alta de 0,5% nas vendas em março reforça resiliência do consumo, enquanto inflação, crédito caro e petróleo pressionam cenário econômico

O comércio varejista brasileiro cresceu 0,5% em março na comparação com fevereiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio acima das expectativas do mercado e reforçou a percepção de que o consumo segue sustentando parte da atividade econômica, apesar dos juros elevados.

Na comparação com março de 2025, as vendas avançaram 4%. Já o varejo ampliado — que inclui veículos e material de construção — cresceu 0,3% no mês e 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar do desempenho positivo, especialistas avaliam que os dados precisam ser lidos com cautela diante do alto endividamento das famílias e da inflação ainda pressionada.

“Quando o endividamento das famílias chega a 80,9% e a inadimplência se mantém perto de 30%, a alta do varejo precisa ser lida com cautela”, afirmou Peterson Rizzo, gerente de relações com investidores da Multiplike.

Segundo ele, parte do consumo atual ocorre sobre uma renda já bastante comprometida, em um ambiente de pressão sobre alimentos, combustíveis e crédito.

Os dados do IBGE também mostraram um consumo mais seletivo. Enquanto supermercados recuaram 1,4% no mês e móveis e eletrodomésticos caíram 0,9%, segmentos ligados a conveniência e bem-estar tiveram desempenho melhor.

Para Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport, o consumidor segue comprando, mas com escolhas mais estratégicas.

“O consumidor prioriza categorias ligadas a conveniência, saúde e rotina”, afirmou.

Na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o resultado reduz o espaço para cortes rápidos de juros.

“O varejo acima do esperado indica que a demanda segue resiliente, mesmo com o nível atual de juros”, disse.

Especialistas também alertam para o impacto das tensões externas envolvendo petróleo, dólar e logística, que podem elevar custos e pressionar ainda mais o consumo nos próximos meses.

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