Número chega a 2.466 empresas, com agropecuária liderando os pedidos no país
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu recorde em 2025, com 2.466 casos registrados — alta de 13% em relação às 2.184 ocorrências de 2024. Os dados são do Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian e refletem o ambiente ainda desafiador para o setor produtivo.
O setor agropecuário liderou os pedidos, com 743 empresas (30,1% do total), seguido por Serviços, com 739 casos (30%). Comércio respondeu por 535 recuperações judiciais (21,7%) e Indústria por 449 (18,2%).
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o desempenho do agro está ligado a fatores como riscos climáticos, volatilidade de preços e custos dolarizados. “A agropecuária opera sob um conjunto de riscos climáticos e biológicos, além de choques de preços e um ciclo financeiro mais longo, o que amplia a volatilidade de receita e caixa”, afirma.
Os pedidos de recuperação judicial — que podem envolver mais de uma empresa — somaram 977 em 2025, avanço de 5,5% sobre os 926 registrados no ano anterior. De acordo com a Serasa Experian, o aumento reflete um cenário de crédito mais restrito, juros elevados, pressão sobre o caixa e alta inadimplência, fatores que levam empresas a buscar renegociação de dívidas para evitar a falência.
Na contramão, os pedidos de falência caíram 19% em 2025, passando de 862 para 698 casos. Apesar disso, o nível de estresse financeiro das empresas segue elevado, indicando que a recuperação judicial tem sido o principal instrumento para enfrentar dificuldades.
