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Proteção e testes em massa são alternativas polêmicas ao confinamento

Moradores de Hong Kong usando máscaras contra o ocvid-19

Os defensores do fim do confinamento social imposto pelas autoridades sanitárias se apoiam em medidas como as adotadas inicialmente na Coreia do Sul. No país asiático, o sistema de saúde pública optou por aplicar testes rápidos na população e liberar a circulação temporária de quem não está infectado. Esta seria uma maneira de conter o covid-19 e evitar a estagnação econômica, que afeta os empregos e o consumo. Só que não se trata de um liberou geral. Antes o governo sul-coreano afirmou que o fluxo de pessoas deveria ser reduzido, com atendimentos limitados no varejo, em forma de plantões, com atendimento na porta e largo uso de equipamentos de proteção. Agora o país adotou maior isolamento social e colocou em quarentena qualquer um que chegar do exterior.

Para o Prêmio Nobel de Economia de 2018, Paul Romer, que é professor da Universidade de Nova York, esta pode ser uma solução para o futuro próximo. Em vez de gastos de trilhões de dólares em socorro às empresas e cidadãos, seria melhor investir em milhões de testes para o vírus e distribuir equipamentos de proteção à população, que assim poderia circular. Romer apresentou essa possibilidade em um artigo no jornal The New York Times. Ele não vai contra o lockdown horizontal, que classificou como necessário para salvar vidas de imediato. Porém, em entrevista ao jornal O Globo, neste domingo (29), afirmou que não podemos correr o risco de manter a economia parada por meses seguidos.

“Os governos seguem apenas dizendo que não há kits para testar todo mundo”, disse.

A solução exigira uma nova maneira de lidar com o público. A cada duas semanas ou menos seria necessário aplicar testes em praticamente toda a população. No Brasil, o desafio seria atender mais de 200 milhões de habitantes distribuídos por um vasto território. Uma das críticas é a alta capacidade de contaminação do covid-19, que exige equipamentos de proteção individual de nível 3, como os utilizados contra antraz, SRAS, MERS, hantavírus, febre amarela e malária. Na prática, significa que para se manter em circulação, mesmo limitada, os brasileiros precisariam de disciplina e intenso treinamento para desinfecção dos equipamentos quando chegassem em suas residências.

O estudo “O impacto global da Covid-19 e as estratégias de mitigação e supressão”, do Imperial College, de Londres, previu mais de 1 milhão de mortos no Brasil caso as medidas de contenção não sejam mantidas e ampliadas. A revista médica Lancet alertou, na sexta-feira (27), que o país pode ser um dos grandes alvos da segunda leva da pandemia, com um crescimento maior que o ocorrido nos EUA.

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