Índice ainda acumula inflação (alta) de 7,96% em 12 meses
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação (queda) de 0,37% em setembro, a segunda taxa negativa seguida, informou nesta terça-feira (27) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A trégua dos combustíveis respondeu pela maior influência, com destaque para o recuo na gasolina, em particular.
A queda em setembro é a segunda consecutiva. O índice havia recuado 0,73% em agosto. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 ainda registrou alta de 7,96% até setembro. Nesse recorte, o avanço era de 9,60% até agosto.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,63% e, em 12 meses, de 7,96%, abaixo dos 9,60% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2021, a taxa foi de 1,14%. Apenas três dos nove grupos do IPCA-15 tiveram queda de preços: Transportes (-2,35%), Comunicação (-2,74%) e Alimentação e Bebidas (-0,47%).
No lado das altas, a maior variação veio de Vestuário (1,66%), que acelerou em relação a agosto (0,76%). Destaca-se, ainda, o grupo Saúde e cuidados pessoais (0,94%), que teve a segunda maior variação e o maior impacto positivo (0,12 p.p.) no índice de setembro. Os demais grupos ficaram entre o 0,12% de Educação e o 0,83% de Despesas pessoais.

Nove das 11 áreas que integram o IPCA-15 tiveram quedas em setembro. A menor variação ocorreu em Recife (-0,93%), influenciada pela queda nos preços da gasolina (-13,85%). A maior variação foi em Belém (0,50%), puxada pela energia elétrica residencial (10,52%).

Mesmo com a trégua recente, o IPCA-15 em 12 meses continua distante da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA. O centro da medida de referência é de 3,50% em 2022. Já o teto foi definido em 5%.
Com o corte tributário sobre os combustíveis, analistas do mercado financeiro passaram a reduzir as projeções para o IPCA em 2022. A alta prevista pelo mercado para o índice oficial é de 5,88% até dezembro, de acordo com a mediana do boletim Focus, publicado pelo BC na segunda-feira (26). Se a estimativa for confirmada, o Brasil terá o segundo ano consecutivo de estouro da meta de inflação.
