Alta de 1,4% no índice de preços ao produtor em abril marca o maior avanço mensal desde 2022, supera expectativas do mercado e reduz apostas em cortes de juros no curto prazo
A inflação ao produtor nos Estados Unidos voltou a acelerar em abril e reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) deverá manter os juros elevados por mais tempo. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) subiu 1,4% na comparação mensal, no maior avanço desde 2022, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Departamento do Trabalho americano.
Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 6%, acima das projeções de analistas consultados pela FactSet, que esperavam avanço anual de 5%. O resultado também ficou acima da expectativa mensal de 0,7%.
A principal pressão veio do setor de energia. Os preços dos bens finais avançaram 2% no mês, impulsionados pela alta de 7,8% nos custos energéticos. A gasolina teve papel central no movimento, com aumento de 15,6% em abril, respondendo por mais de 40% da elevação do índice de bens finais.
O núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, também surpreendeu o mercado. O indicador avançou 1% em abril frente a março e acumulou alta de 5,2% em 12 meses. As estimativas apontavam para altas de 0,3% no mês e de 4,3% no acumulado anual.
Além da energia, o setor de serviços também contribuiu para a aceleração inflacionária. Os preços dos serviços subiram 1,2% no mês, no maior avanço desde março de 2022, com destaque para transporte rodoviário de cargas, varejo de combustíveis, comércio atacadista de máquinas e equipamentos e serviços jurídicos.
O resultado ampliou a cautela do mercado em relação à trajetória da política monetária americana. Após a divulgação dos dados, investidores reduziram as apostas em cortes de juros pelo Fed nos próximos meses e passaram a considerar um cenário de manutenção prolongada das taxas em níveis elevados.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dado reforça o risco de repasse da alta dos custos energéticos para o consumidor final.
“O repasse dos custos de energia para os preços no nível do produtor está claramente em curso. O risco é que isso continue contaminando cadeias de logística, transporte e insumos”, afirmou.
A reação do mercado foi imediata. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos avançaram após a divulgação do indicador, enquanto a precificação de cortes de juros perdeu força. Dados do CME FedWatch mostram que a probabilidade de manutenção das taxas na reunião de junho segue próxima de 97%.
A pressão inflacionária ocorre em meio à alta do petróleo provocada pelas tensões geopolíticas envolvendo EUA, Israel e Irã. Para analistas, o cenário aumenta o risco de inflação persistente nos próximos meses e reduz o espaço para flexibilização monetária por parte do banco central americano.
