Faltam políticas públicas consolidadas no país, avalia a Confederação Nacional da Indústria
O Brasil subiu três posições no Índice Global de Inovação (IGI) em 2022, alcançando o 54º lugar entre 132 nações graças à resiliência das empresas e sem o apoio de políticas públicas consolidadas. Hoje, o país está sete posições abaixo da melhor marca que atingiu (47º lugar), em 2011. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os investimentos na área têm caído a cada ano e para 2023 a perspectiva é de piora.
Porém, na avaliação da diretora de inovação da CNI, Gianna Sagazio, a melhora veio impulsionada pela iniciativa privada. “Isso quer dizer que, em relação aos investimentos em inovação, o Brasil piorou. Entretanto, é como se os agentes do ecossistema brasileiro tivessem feito mais com menos e obtido melhores resultados, apesar da queda nos insumos/investimento. Isso atesta as capacidades das empresas brasileiras. Se houvesse investimentos perenes em inovação, o que não acontece, o Brasil poderia ser uma potência em inovação”, avalia, em nota.
O IGI é calculado a partir da média de dois subíndices. O primeiro é o de insumos de inovação, que avalia os elementos da economia que viabilizam e facilitam o desenvolvimento de atividades inovadoras. O segundo subíndice é o de produtos de inovação, que capta o resultado efetivo das atividades inovadoras no interior da economia e se divide em dois pilares:
Na avaliação da CNI, embora o Brasil tenha caído no ranking de insumos de inovação (de 56º, em 2021, para 58º, em 2022), subiu seis posições no ranking de resultados de inovação (de 59º para 53º). O líder este ano é a Suíça, seguida pelos Estados Unidos, Suécia e Reino Unido. O Brasil não é o país mais inovador na América Latina e fica atrás do Chile.
Confira os dez países mais inovadores do mundo e ranking latino-americano:
Ranking dos dez países mais inovadores do mundo
- Suíça
- EUA
- Suécia
- Reino Unido
- Holanda
- Coreia do Sul
- Singapura
- Alemanha
- Finlândia
- Dinamarca
Ranking da América Latina
- Chile (50)
- Brasil (54)
- México (58)
- Colômbia (63)
- Uruguai (64)
- Petu (65)
- Costa Rica (68)
Falta de investimentos
Para a CNI, faltam políticas públicas consolidadas para a inovação, o que gera insegurança e atrasos ao setor. A confederação condena a Medida Provisória nº 1.136, de 29 de agosto de 2022, por exemplo, que limita o uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), maior fonte de financiamento à inovação do país. Segundo a MP, o fundo poderá aplicar somente R$ 5,555 bilhões em 2022, cerca de R$ 3,5 bilhões a menos do que estava previsto inicialmente.
