Movimento é visto como uma tentativa de recuperar apoio popular em meio ao avanço da candidatura de Flavio Bolsonaro nas pesquisas
A cinco meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu revogar a chamada “taxa das blusinhas”, imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. A medida provisória assinada nesta terça-feira tem efeito imediato e foi anunciada em edição extra do Diário Oficial, acompanhada de portaria da Fazenda zerando a alíquota.
O tema vinha sendo alvo de disputa dentro do governo. Enquanto ministros ligados ao Palácio do Planalto defendiam a revogação por entender que a tarifa afetava a popularidade de Lula, setores da indústria e comércio resistiam, alegando prejuízo à concorrência com o varejo nacional.
A decisão, no entanto, foi tomada em caráter político, diante da pressão por medidas que aliviem o custo de vida e melhorem a percepção de renda da população. No anúncio, integrantes da equipe econômica destacaram que a maior parte das compras é de pequeno valor e beneficia consumidores de baixa renda.
Criada em 2024 para atender ao varejo nacional, a cobrança foi aprovada pelo Congresso como forma de equilibrar a competição com plataformas estrangeiras. Apesar disso, a arrecadação é considerada limitada — menos de R$ 2 bilhões por ano — e não deve ter impacto relevante nas contas públicas.
O movimento, portanto, é visto como uma tentativa de recuperar apoio popular em meio ao avanço da candidatura de Flavio Bolsonaro nas pesquisas e às críticas sobre segurança pública e corrupção.
