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CEO da Pi diz que febre de cursos de investimento vai levar muita gente a se “estrepar na bolsa”

Há poucos anos, quem quisesse investir tinha que ir quase que obrigatoriamente a uma agência de um grande banco e seguir as recomendações do seu gerente – que nem sempre eram as melhores para ele. Hoje, esse investidor pode acessar uma entre várias corretoras online e tem milhares de opções de investimento – dos fundos mais conservadores às operações especulativas mais arriscadas. Segundo Felipe Bottino, CEO da Pi Investimentos, esse novo mundo, como o anterior, nem sempre entrega as melhores opções para o investidor.

Bottino, que tem passagens pela Gávea Investimentos e Icatu Seguros, é crítico desse “mundo 2.0” dos investimentos que, segundo ele, é focado em duas vertentes. Uma é a figura do intermediário, como agentes autônomos e estrategistas, que sugere operações aos investidores. Segundo o CEO da Pi, esse modelo encarece os custos. “Estrategista bom é muito caro”, diz. “E os assessores precisam receber bem os clientes, que implica custos.”

A segunda vertente está centrada na “educação financeira” que Bottino também critica. “A gente vê com grande preocupação essa discussão de educação financeira”, diz. “Eu, pessoalmente, não acredito que serei um médico se fizer um curso de trinta minutos por semana.” Ele vai além. “As corretoras dão curso de graça de ‘aprenda a investir na bolsa em uma semana’. Esse cara (o cliente) vai se estrepar.” Segundo ele, é uma estratégia para aquisição de clientes que pode não ser benéfica para o investidor.

Fundada em março pelo banco Santander, a Pi quer criar um nicho próprio. “A Pi veio com o conceito de desintermediação do mercado financeiro”, diz Bottino. Ou seja, sem agentes autônomos, analistas ou estrategistas. Ao invés de ter profissionais atuando diretamente com o investidor, a Pi fez parceria com quatro gestores de fundos voltados para alta renda (que geralmente entregam os melhores resultados) e oferece aos clientes carteiras similares. O que a fintech deixa de gastar com esses profissionais é devolvido, em dinheiro, ao cliente.

A Pi também quer ter uma imagem diferente das outras corretoras. “Esse negócio de ‘corretora da Faria Lima’ para a gente não existe”, afirma o presidente da Pi, se referindo à Avenida Brigadeiro Faria Lima, onde boa parte das corretoras está sediada. “Estamos saindo da (Avenida) Berrini para o Centro para reduzir custos”, diz Bottino, que garante: nenhum profissional da Pi vai circular com colete preto com o logo da marca – outra característica do “Eixo Faria Lima”.

Além das quatro carteiras que replicam fundos de family offices, a Pi oferece centenas de fundos e aplicações de renda fixa para quem já tem familiaridade com o mercado. Hoje, são 200 fundos, que devem se tornar 400 em um mês.

No futuro, a fintech planeja ter um home broker e, mesmo nesse cenário, garante que vai se manter distante das outras corretoras. “Não vamos buscar o perfil do trader, de quem faz operações sofisticadas”, diz. “O que a gente acredita é em comprar uma ação e deixar maturar por um tempo, um perfil que as corretoras não buscam porque dá menos (taxa de) corretagem”. Para auxiliar o investidor, a ideia é parecida com a das carteiras dos fundos de family offices: fazer parceria com gestores, que vão sugerir portfólios de ações para perfis de risco diferentes.

Confira abaixo a entrevista completa.

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