Pesquisar
PATROCINADORES
PATROCINADORES

Exame: as 10 maiores altas e baixas do Ibovespa em 2021

Empresas com receitas dolarizadas lideram os ganhos até o último dia 17, enquanto as do setor de e-commerce ficam entre as maiores baixas

O ano de 2021 foi marcado por perdas generalizadas para a bolsa brasileira. Mesmo com a recuperação no começo deste mês, o Ibovespa ainda registra queda de 9,93% no acumulado anual (até o último dia 17).

A explicação para o movimento de queda — acentuado ao longo do segundo semestre – passa por uma conjunção de fatores: incertezas sobre o quadro fiscal, disparada da inflação e consequente alta acentuada na taxa Selic e nas de juros futuros etc. Com a aprovação da PEC dos Precatórios, o quadro de incertezas sobre as contas públicas deu trégua, mas não foi suficiente: só 23 das 92 ações que compõem o Ibovespa apontam que vão fechar o ano no positivo.

Para completar o cenário desafiador, os bancos centrais dos países desenvolvidos – a começar pelo Federal Reserve, dos Estados Unidos – começaram a reduzir a liquidez do mercado e a sinalizar e até dar início ao ciclo de aperto monetário, o que afeta o fluxo de capital para emergentes como o Brasil.

Mas a queda do Ibovespa não impediu que o investidor pudesse encontrar boas oportunidades de ganhos entre as 92 ações que atualmente fazem parte do índice de referência da B3 ao longo do ano.

Braskem, Embraer e as maiores altas

Entre os papéis que devem fechar 2021 com os maiores ganhos, um fator em comum: quase todos têm parte de sua receita atrelada ao exterior. “Cada alta teve sua particularidade, mas é possível dizer que as empresas que mais subiram têm receita dolarizada, e o faturamento em dólar acaba sendo muito benéfico neste ano de forte alta da moeda”, afirma Fernando Ferrer, analista da casa de análises Empiricus. No ano, a moeda americana salta 9,57% frente ao real.

Veja a seguir a lista das 10 maiores altas do Ibovespa até a última sexta, dia 17:

As 10 maiores altas de 2021*
NomeCódigoRetorno em 2021 (%)
1BraskemBRKM5134,15
2EmbraerEMBR3130,51
3MarfrigMRFG363,89
4JBSJBSS361,75
5PetroRioPRIO344,61
6GerdauGGBR433,38
7Gerdau MetalúrgicaGOAU429,02
8MéliuzCASH328,46
9CosanCSAN318,33
10CemigCMIG415,39
*Até o pregão de 17/12 | Fonte: Investing

Braskem foi destaque no ano, com alta de 134,15%. A disparada do preço da ação da maior petroquímica do país e da América Latina está ancorada em dois fatores, segundo analistas: os fortes resultados ao longo do ano e aguardada venda do seu controle por Petrobras  e Novonor (ex-Odebrecht)

No terceiro trimestre, a empresa teve um lucro líquido de 3,537 bilhões de reais, revertendo prejuízo de 1,41 bilhão em igual período de 2020. A empresa havia sido fortemente penalizada pelo mercado em 2020 com o afundamento de bairros na capital de Alagoas, Maceió, em acidente relacionado à exploração das minas de sal-gema na região. A empresa se recuperou neste ano, com impulso da alta de cerca de 50% do petróleo, sua principal matéria-prima.

Soma-se a isso a expectativa de venda das fatias de 36,15% e de 38,4% que a Petrobras e a Novonor (ex-Odebrecht) detêm na companhia. Na última semana, a Petrobras aprovou o modelo de venda de até 100% das ações que detém na petroquímica via oferta pública secundária (follow-on). No dia do anúncio, a Braskem subiu mais de 6%.

Outro destaque de 2021 é a ação da Embraer, igualmente depois de um ano difícil. Analistas dizem que a valorização se deve à recuperação do mercado de aviação comercial para jatos de médio porte, segmento explorado pela companhia na aviação comercial, e às perspectivas favoráveis no novo mercado de “carros voadores”. Os eVolts, aeronaves elétricas de pouso e decolagem verticais, são o destaque de sua subsidiária Eve Urban. 

“A empresa sofreu em 2020 com o fim das negociações com a Boeing e com o fechamento da economia por causa da pandemia. Em contrapartida, o mercado para ‘carros voadores’ tem chamado atenção, e a companhia já fechou 12 acordos em três meses. E a expectativa é que o apetite continue forte pelo segmento”, analisa Ferrer.

E-commerce: as maiores quedas

O setor de e-commerce ficou na ponta oposta, com quatro ações entre as dez maiores baixas do ano. A liderança das perdas ficou com a ação de Lojas Americanas, que recuaram 77,32% no ano até a sexta passada, dia 17.

A ação sofreu em particular por causa de uma reestruturação anunciada em abril, que resultou na criação da Americanas, unindo os ativos da então B2W, uma das maiores empresas de e-commerce do país, com as lojas físicas da Lojas Americanas, que ficou como holding. O plano na época era listar a controladora nos Estados Unidos.

Desde então, no entanto, as ações de Lojas Americanas ficaram com performance abaixo da esperada. Uma das razões, segundo analistas, foi o habitual desconto imposto pelo mercado a empresas que são holding. Nem o anúncio de unificação das duas ações, no fim de outubro, conseguiu fazer o papel de recuperar — a forte alta dos juros futuros e o ambiente macro desfavorável de modo geral acabaram atrapalhando, segundo especialistas.

Veja a seguir a lista das 10 maiores quedas do Ibovespa até a última sexta, dia 17:

As 10 maiores quedas de 2021*
NomeCódigoRetorno em 2021 (%)
1Lojas AmericanasLAME4-77,32
2Magazine LuizaMGLU3-73,31
3ViaVIIA3-69,99
4GPAPCAR3-69,02
5AmericanasAMER3-58,58
6EztecEZTC3-51,28
7QualicorpQUAL3-50,86
8CyrelaCYRE3-47,39
9IRB BrasilIRBR3-46,94
10NaturaNTCO3-46,74
*Até o pregão de 17/12 | Fonte: Investing

Apesar do avanço da vacinação, a economia do Brasil não mostrou a recuperação que se esperava: o crescimento está patinando, o desemprego é elevado e a inflação bateu na casa de 10% em 12 meses, exigindo juros mais altos.

Um dos setores que deixaram a desejar em meio a esse cenário macroeconômico adverso foi o varejo e, em particular, o segmento de e-commerce. Nos últimos meses, a forte concorrência estrangeira – personalizada por gigantes como Shopee, AliExpress e Amazon – também pesou sobre o resultado e sobre as ações das empresas.

Grandes companhias de e-commerce como Magazine Luiza Via, que haviam apresentado resultados fortes no primeiro ano da pandemia, não conseguiram manter o mesmo ritmo de crescimento em 2021.

A inflação medida pelo IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, deve fechar o ano em torno de 10%, segundo projeção do mercado. Para fazer frente à alta das expectativas de aumento de preços, a Selic, a taxa básica de juros da economia, foi elevada de 2% para 9,25% ao ano em 2021. E deve chegar aos dois dígitos no ano que vem.

A alta da Selic também está causando impacto sobre as ações do setor imobiliário, como as de incorporadoras: Eztec Cyrela figuram entre as maiores quedas do Ibovespa neste ano.

“São companhias que sofrem com aumento de custos via inflação, que tiveram de repassar o aumento de preços [com impacto na demanda] e agora devem sofrer com a restrição do crédito imobiliário diante da alta da Selic”, diz Ferrer.

_________________________________________________

Beatriz Quesada

Publicado em: cutt.ly/5UqGotD

Compartilhe

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pergunte para a

Mônica.

[monica]
Pesquisar

©2017-2020 Money Report. Todos os direitos reservados. Money Report preza a qualidade da informação e atesta a apuração de todo o conteúdo produzido por sua equipe.