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Quando a derrota não é nossa – mas parece ser

Aluizio Falcão Filho
4 de julho de 2026

Em tempos de Copa do Mundo, vejo reações extremadas de amigos diante de resultados negativos. Essas pessoas torcem apra seus países de origem (ou de suas famílias) e ficam extremamente chateados (ou furiosos) com uma derrota. Neste torneio em particular, houve várias zebras, que decepcionaram milhões de fãs mundo afora. Nessas horas, torcer por um time ou por um atleta em particular pode ser muito doloroso. Não somos nós que estamos em campo, na quadra ou em uma pista. Mas o revés daqueles pelos quais torcemos deixa um sabor amargo: é como se nós tivéssemos perdido aquela disputa.

Alguns não ligam e outros superam facilmente um insucesso. Mas há aqueles que ficam inconformados e a derrota estraga o dia, quando não a semana. Às vezes, a sensação de derrocada surge até em casos de empate, especialmente diante de um adversário modesto, que se supera e garante uma igualdade no placar.

Mas por que ficamos tão abalados com uma derrota (ou um empate) se não somos nós que estamos disputando diretamente um jogo ou uma modalidade esportiva?

Nesses momentos, criamos um vínculo emocional com o esporte que acompanhamos. Quando torcemos, projetamos expectativas, memórias e esperanças naquele time ou atleta. Aqueles pelos quais estamos torcendo passam a carregar um pouco do que somos e do que desejamos. A vitória traz alegria e pertencimento. A derrota provoca frustração e um sentimento de perda que, embora simbólico, é vivido com intensidade.

Esse envolvimento geralmente nasce do desejo de fazer parte de algo maior, de compartilhar uma narrativa coletiva, de sentir que pertencemos a uma comunidade que vibra e sofre junto. O esporte desperta emoções rápidas e profundas e por isso o impacto de um resultado negativo chega sem filtros. Além disso, torcer é muitas vezes uma experiência social. Comentamos, discutimos e criamos expectativas em grupo.

No entanto, por mais forte que seja essa ligação, existe um ponto que não podemos ignorar. O resultado não depende de nós. A derrota pertence aos atletas, às circunstâncias do jogo e ao que acontece dentro das quatro linhas. O sofrimento, porém, recai apenas sobre quem o sente. E é justamente aí que vale uma reflexão final: não adianta carregar um peso que não nos pertence. Acompanhar, vibrar e se emocionar faz parte da graça de torcer, mas permitir que um placar determine o nosso humor é se entregar demais a algo que nunca esteve sob nosso controle. A vida continua. E o que deveria permanecer é a experiência, não o fardo.

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