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Trump ameaça Delcy Rodríguez, enquanto militares garantem sua posse

Da redação
4 de janeiro de 2026
Tom agressivo adotado indica que novos ataques podem ocorrer se a transição não for do agrado dos EUA. “Vamos fazer nossa avaliações”, disse Rubio

Apesar de considerar a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez como a figura central para uma transição após a remoção de Nicolás Maduro do poder, o presidente americano Donald Trump lançou ameaças contra ela neste domingo (4). À revista The Atlantic, declarou que a vice-presidente da Venezuela pode pagar um preço maior do que Maduro “se não fizer o que é certo”. Ou seja, Rodríguez teria que dar amém praticamente incondicional à recuperação dos interesses petrolíferos dos EUA no país, que é dono das maiores reservas mapeadas do mundo, com 303 bilhões de barris, de acordo com o Relatório Estatístico de Energia Mundial da BP, a British Petroleum.

A afirmação segue o protocolo de negociação agressiva e pouco diplomacia adotado por Trump. Ele deixou claro na entrevista que não tolerará qualquer “rejeição desafiadora de Rodríguez”. Ou seja, deixou em aberto a possibilidade de novos ataques, mesmo com o secretário de Estado Marco Rubio afirmando que os EUA não estão em guerra contra a Venezuela. Todavia, ele emendou que o governo americano trabalhará com lideranças venezuelanas a depender de suas ações. “Vamos fazer nossas avaliações”, disse à CBS News, em referência velada à opositora e Nobel da Paz, Maria Corina Machado, assinalando que ela poderia se tornar uma sombra nesse xadrez político.

A declaração se deu com hora marcada, logo depois de o ministro da Defesa venezuelano, general Vladimir Padrino López, reconhecer em comunicado televisionado a decisão do Tribunal Supremo de Justiça que determina a posse de Rodríguez por 90 dias, o que significa que o governo considera oficialmente Maduro afastado, mas não necessariamente deposto. O ditador foi levado aos EUA para ser julgado por tráfico internacional de drogas. Ele foi detido junto com sua esposa, Cilia.

As movimentações para essa transição ainda nebulosa seguem enquanto outros países se posicionam. China, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Uruguai e Malásia condenaram abertamente a ação, que terminou com a morte de cerca de 80 pessoas. Já a União Europeia divulgou uma declaração conjunta sobre a intervenção pedindo “calma e moderação por todas as partes” e reforçando que Maduro “não possui a legitimidade de um presidente democraticamente eleito”.

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