Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas
Nova pílula pode controlar a pressão alta
Um comprimido do inibidor baxdrostat pode oferecer esperança para pessoas cuja pressão arterial permanece alta mesmo após uso de medicamentos convencionais. Em um estudo recente, o medicamento reduziu a pressão arterial e também pareceu proteger os rins, reduzindo os sinais de danos. Médicos afirmam que isso pode ajudar milhões de pessoas com doença renal crônica, uma condição que frequentemente dificulta o controle da pressão arterial.
Os resultados do ensaio clínico de Fase 2 do FigHTN, que avalia a eficácia e a segurança do experimento, mostraram que o medicamento reduziu a pressão arterial sistólica em cerca de 5%, quando adicionado aos medicamentos existentes tomados de modo contínuo por pessoas com doença renal crônica e pressão alta não controlada. A análise também descobriu que o baxdrostat reduziu a perda de albumina na urina, substância que é um marcador de risco renal e cardiovascular. O resultado foi de 55% em comparação ao placebo, sugerindo que este medicamento ajuda a retardar a progressão da doença.
Meditação melhora dor crônica na mandíbula de mulheres
Um estudo da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (EERP-USP), mostrou que a prática regular de mindfulness – técnica de meditação voltada para o foco e a atenção plena – pode ajudar a reduzir a sensibilidade dolorosa e melhorar a regulação emocional de mulheres que sofrem de Disfunção Temporomandibular (DTM). A condição causa dores crônicas, travamento da mandíbula, dificuldade severa para abrir a boca ou mastigar, e alterações na mordida.
Os pesquisadores acompanharam 53 mulheres entre 18 e 61 anos, todas diagnosticadas com DTM crônica, recrutadas no serviço especializado da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp-USP), parceira do projeto, e por meio de divulgação em instituições de saúde e redes sociais.
Metade das mulheres participou de um programa de mindfulness de oito semanas, com encontros presenciais semanais de duas horas e um encontro de imersão de quatro horas em meio à natureza. Além disso, elas também receberam os áudios das práticas de mindfulness aprendidas nos encontros presenciais, com orientações para praticar a técnica em casa diariamente. O grupo-controle não recebeu nenhuma intervenção durante o mesmo período e foi acompanhado para garantir que não iniciou outro tipo de tratamento.
Os resultados reforçam que práticas integrativas e complementares em saúde como o mindfulness podem ser uma ferramenta importante no manejo da dor crônica, especialmente em condições complexas como a DTM. Além disso, trata-se de uma prática de baixo custo, de fácil implementação e que pode ser incorporada aos serviços públicos de saúde.
Os resultados foram publicados no Journal of Oral Rehabilitation. O estudo teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O que MR publicou:
- Amazon cria quiosques para retirada rápida de remédios
- Vacina brasileira contra covid entra em fase final de estudos
- Rede D’Or e Magalu lançam campanha “Alerta Rosa”
- Quem são os vencedores do Nobel de Medicina 2025
Criado primeiro teste para Síndrome da Fadiga Crônica
Cientistas dizem ter desenvolvido o primeiro exame de sangue capaz de diagnosticar encefalomielite miálgica, também conhecida como síndrome da fadiga crônica (EM/SFC).Atualmente não há nenhum teste eficiente para a condição e os pacientes tendem a ser diagnosticados com base nos sintomas, o que significa que muitos podem ficar anos sem saber da condição durante anos.
Cientistas da Universidade de East Anglia (UEA) e da Oxford Biodynamics (OBD), no Reino Unido, examinaram amostras de sangue de 47 pacientes com EM/SFC grave e 61 adultos saudáveis. A equipe descobriu um padrão único que aparece consistentemente em pessoas com a doença e que não é observado em gente saudável, permitindo-lhes desenvolver o teste.
Em artigo publicado no Journal of Translational Medicine, eles afirmaram que o teste tinha uma sensibilidade de 92% – probabilidade de dar positivo para a doença. Já sua especificidade foi de 98% – probabilidade de descartar casos negativos.
Anvisa libera antídoto para metanol
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou no último sábado (11) a produção de etanol injetável, antídoto utilizado no tratamento de intoxicações por metanol. O laboratório Cristália fabricará o primeiro lote do medicamento, que será doado integralmente ao Ministério da Saúde para distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida foi tomada após a explosão de casos da intoxicação em todo país. O Ministério da Saúde utiliza etanol farmacêutico para os tratamentos atuais, mas conseguiu importar 2,5 mil ampolas de fomepizol, outro antídoto que apresenta menos efeitos adversos. O governo planeja distribuir 1,5 mil ampolas imediatamente.
Estudo aponta que mulheres tem maior risco genético de depressão
Um estudo liderado pelo Instituto de Pesquisa Médica QIMR Berghofer, da Austrália, mostrou que uma grande proporção das variantes associadas à depressão eram compartilhadas entre os sexos, mas havia uma “maior carga de risco genético em mulheres, o que poderia ser devido a variantes específicas femininas”.
Todavia, o trabalho reconheceu que as explicações apresentadas abrangem domínios comportamentais, ambientais e biológicos, incluindo a menor probabilidade de os homens procurarem ajuda, o que levaria a subnotificação e exposições ambientais. Eles também reconheceram as limitações que suas análises eram restritas apenas aos europeus, limitando a aplicabilidade das descobertas a outras populações. Porém, os resultados não podem ser descartadas e indicam a necessidade de levantamentos mais amplos.
Covid acelera envelhecimento vascular
Mesmo após a recuperação clínica, a covid-19 pode deixar marcas no sistema cardiovascular. Essa é a conclusão do maior estudo populacional com sobreviventes da doença, realizado com mais de 2 mil pessoas em 16 países, incluindo o Brasil. O trabalho mostrou que todos os participantes que foram infectados pelo vírus apresentaram maior rigidez nas grandes artérias em comparação com aqueles que não foram infectados.
De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal, a infecção por covid pode acelerar o envelhecimento vascular, com efeitos mais pronunciados em mulheres, especialmente aquelas com sintomas persistentes, independente da gravidade da doença. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde foram notificados em 2025, até 28 de setembro, 311.849 casos de covid-19 no Brasil.
Nanotecnologia transforma vinagre em combatente de infecções
Feridas que não cicatrizam geralmente são causadas por infecções bacterianas e são particularmente perigosas para idosos e pessoas com diabetes, câncer e outras condições. O ácido acético (principal componente ativo diluído vinagre) é usado há séculos como desinfetante, mas só é eficaz contra um pequeno número de bactérias e não mata os tipos mais perigosos.
Porém, uma pesquisa da Universidade de Bergen, na Noruega, da QIMR Berghofer e da Universidade Flinders, na Austrália, encontrou como ampliar as qualidades naturais de eliminação de bactérias por meio da adição de nanopartículas antimicrobianas feitas de carbono e cobalto. Os resultados foram publicados no periódico internacional ACS Nano .
